Drones "kamikaze", mísseis e canhões. Quantas e que armas está o Ocidente a enviar para a Ucrânia

3 mai, 19:01
Soldado ucraniano dispara arma NLAW (AP)

Portugal também tem participado no bloco internacional de ajuda, mas são os Estados Unidos quem lideram o envio de armamento às forças ucranianas

Drones, mísseis ou tanques, tudo serve para ajudar a Ucrânia a resistir à invasão que a Rússia iniciou a 24 de fevereiro. O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros já deixou bem claro o que o país precisa: “Armas, armas, armas”, disse Dmytro Kuleba no início de abril, por ocasião da cimeira da ONU. Um pedido que foi reiterado esta segunda-feira pelo antigo presidente Petro Poroshenko, em entrevista à CNN Portugal.

Os Estados Unidos lideram a onda internacional de ajuda, na qual Portugal também entra. No mais recente pacote de ajuda à Ucrânia, foi enviado pelos norte-americanos equipamento no valor de 758 milhões de euros (ao todo são já mais de 3,2 mil milhões de euros desde o início da guerra). Na carga ia equipamento suficiente para equipar mais cinco batalhões, mas também 120 drones construídos especificamente para as forças ucranianas.

Estas armas chegam ao Centro de Controlo do Comando Europeu da Ucrânia, em Estugarda, que fica encarregue de as fazer chegar às forças ucranianas. Aquele centro, gerido por 14 países, funciona como um intermediário entre os pedidos de Kiev e os envios ocidentais.

Os drones em questão, que foram “rapidamente desenvolvidos pela Força Aérea” dos Estados Unidos, de acordo com o The New York Times, chamam-se Phoenix Ghost, um modelo até então desconhecido. Na prática, trata-se de uma adaptação de drones já existentes, e que agora permite a utilização destes veículos não tripulados para operações de ataque que envolvem despenhar o próprio drone contra um determinado alvo. São os chamados “drones táticos”.

São os chamados drones "suicida" ou "kamikaze" e têm como uma das grandes vantagens o facto de poderem ser transportados numa pequena mochila. Os Switchblades, outro tipo de drones, também foram enviados para a Ucrânia. De acordo com o Departamento de Estado norte-americano foram enviados 700.

Drone Switchblade (Exército dos EUA/AP)

A batalha que se iniciou há dias no Donbass, onde os russos continuam a fazer de tudo para controlar as grandes cidades, como Mariupol, foi a grande razão para o envio extra de armamento. É também por isso que foram enviados dezenas de veículos howitzers, um tipo de canhão que se pode juntar a um tanque.

Já o equipamento dos cinco batalhões foi feito com recurso a equipamento, mas também a 18 howitzers para cada, além de 37 mil balas (ao todo são já 90 howitzers e mais de 183 mil balas). Esta arma consegue disparar entre três a cinco vezes por minuto, e muitas vezes alcança alvos a mais de 40 quilómetros e com uma força de 40 quilos.

“Pensamos que isso pode representar um poder de fogo adicional significante para os ucranianos. Se não acreditássemos nisso, não teríamos enviado tantos howitzers e balas”, afirmou um alto responsável do exército norte-americano, citado pelo The New York Times, numa altura em que os primeiros carregamentos já tinham chegado à Ucrânia.

Este tipo de armas também têm sido enviadas por França e Reino Unido.

Exército russo opera Howitzers (Ministério da Defesa da Rússia/AP)

Armas de nova geração (e outras nem tanto)

Mas uma das grandes ajudas são os chamados NLAW, ou armas ligeiras anti-tanque de nova geração. Na prática, são armas que se colocam aos ombros e que disparam mísseis desenhados especificamente para destruírem tanques e outro tipo de veículos armados.

Soldado ucraniano treina com armas NLAW (Vadim Ghirda/AP)

Com um alcance de 800 metros, serve, sobretudo, para o combate no terreno aberto, como vem acontecendo em algumas cidades.

Também os mísseis Javelin têm sido enviados para a Ucrânia: armas com infravermelhos que alcançam até quatro quilómetros, e que podem ser disparados por uma pessoa ou por veículos. São maioritariamente utilizadas para locais vulneráveis.

De acordo com Mark F. Cancian, um dos principais conselheiros do Centro Estratégico de Estudos Internacionais, que falou à NBC, esta é “uma das melhores armas defensivas”, que os países da NATO poderiam ter dado à Ucrânia.

Uma das grandes vantagens das NLAW ou dos Javelin é a facilidade de operação. “É por isso que a NATO e os seus aliados os estão a dar desde o início. Podem ser aprendidos rapidamente”, referiu Mark F. Cancian.

Ucranianos treinam com Javelin norte-americano (Ministério da Defesa da Ucrânia/AP)

A esmagadora maioria dos NLAW tem chegado do Reino Unido ou da Suécia., sendo que os Estados Unidos enviaram mais de cinco mil Javelin, mísseis também disponibilizados por Reino Unido, Polónia ou Estónia.

A Al-Jazeera refere que os Estados Unidos terão enviado cerca de um terço dos Javelin que tinham disponíveis, o que já motivou Joe Biden a pedir um aumento da produção daquele tipo de armamento.

Menos recentes são os chamados stingers, mísseis terra-ar que são utilizados desde 1982, altura da guerra nas ilhas Falkland. Muito populares na guerra civil da Síria, conseguem alcançar até oito quilómetros, subindo mais de 4,5 quilómetros, o que os torna ideais para destruir helicópteros, drones, aviões ou mísseis de cruzeiro.

Permite sobretudo uma defesa aérea eficaz, e a Ucrânia garante já os ter utilizado para atacar caças russos do tipo Sukhoi Su-34.

Fuzileiros norte-americanos treinam com stinger (Vadim Ghirda/AP)

Os Estados Unidos garantiram que iriam enviar 800 destes mísseis, mas o Departamento da Defesa disse que mais 1.400 estariam a caminho. Também a Alemanha, com 500, ou os Países Baixos, com 200, enviaram mísseis stinger, além de Letónia e Lituânia, que não divulgaram o número de mísseis deste calibre que enviaram.

Mais pesados e de maior alcance que os stinger são os S-300, mísseis que pesam duas toneladas e que podem chegar mais alto, podendo assim atingir aeronaves mais complexas.

Alguns dos S-300 em utilização pela Ucrânia até são russos, mas vários países da NATO também têm enviado.

Já os tanques Gepard, que funcionam para defesa de drones e helicópteros, têm chegado à Ucrânia a partir da Alemanha. Foram criados em plena Guerra Fria, na década de 1960, mas têm sido adaptados desde então, o que lhes permite um alcance razoável.

Os Estados Unidos têm atualizado de forma frequente o material enviado para a Ucrânia. Até ao momento conta-se:

  • mais de 1.400 Stinger;
  • mais de 5.500 Javelin;
  • mais de 14 mil outras armas de defesa;
  • mais de 700 drones Switchblade;
  • 90 Howitzers and 183 mil balas;
  • 72 veículos táticos para rebocar Howitzers;
  • 16 helicópteros Mi-17;
  • mais de sete mil armas pequenas;
  • mais de 50 milhões de munições;
  • 121 drones Phoenix Ghost;
  • 75 mil coletes à prova de bala e capacetes;
  • sistemas de mísseis guiados por laser;
  • navios de defesa costeira;
  • radares anti-artilharia;
  • radares anti-morteiros;
  • minas M18A1;
  • explosivos C-4 e equipamento de demolição;
  • sistemas de comunicações seguras;
  • aparelhos de visão noturna, sistemas de imagem térmica e lasers para encontrar alvos;
  • serviços de imagens de satélite;
  • equipamento protetor de armas nucleares, químicas ou biológicas;
  • equipamento de primeiros-socorros.

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