"Conflito congelado". Antigo comandante da NATO compara fim da invasão da Ucrânia à guerra da Coreia

18 jul, 12:33
Tropas russas guardam uma entrada da central nuclear Kakhovka, no rio Dnieper, no sul da Ucrânia, a 20 de maio de 2022

Almirante norte-americano, que foi Comandante Supremo Aliado da NATO, diz que guerra entre Rússia e Ucrânia vai "congelar" no próximo meio ano e prevê que se mantenha situação semelhante à animosidade entre as duas Coreias. Mykhailo Podolyak, assessor presidencial da Ucrânia, não gostou da comparação e já comentou a entrevista

James Stavridis, veterano da Marinha dos Estados Unidos que foi Comandante Supremo Aliado da NATO para a Europa, disse numa entrevista na rádio, este fim de semana, que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia deverá concluir-se nos próximos quatro a seis meses e que o conflito ficará provavelmente "congelado", terminando numa situação semelhante à da guerra da Coreia.

Numa entrevista com o empresário John Catsimatidis que foi transmitida na rádio WABC, e citada pelo Business Insider, o almirante notou que os ucranianos estão a resistir de forma firme e que os planos de Putin não foram "particularmente eficazes".

"Ele ganhou uma pequena porção do território pelo qual começou o conflito", assinalou Stavridis. 

O almirante norte-americano afirmou também que vê o conflito culminar numa situação como a das duas Coreias, explicando: "Há um armistício, uma zona militarizada entre os dois lados, animosidade constante, uma espécie de conflito congelado. Aguarda-se por isso num período de quatro a seis meses. Nenhum lado consegue aguentar muito mais", sublinhou.

A conversa entre o almirante e o empresário acabou por ser comentada por Mykhailo Podolyak, conselheiro do presidente ucraniano. No Twitter escreveu que a Ucrânia "não é uma Coreia" e que a Rússia não é Pyongyang. "Contexto diferente, escalas diferentes. Qualquer 'conflito congelado' significa que a guerra regressará em poucos anos - bem preparada e mais sangrenta. A única forma de pôr um fim à guerra e devolver a segurança à Europa - derrotar a Federação Russa e libertar os territórios", defendeu o conselheiro de Zelensky numa publicação no Twitter.

A guerra entre Coreia do Norte e do Sul, recorde-se, foi travada entre 1950 e 1953, durante a Guerra Fria, e nunca terminou oficialmente, apesar de ter sido assinado um acordo de armistício. A Coreia do Norte, então liderada por Kim Il-sung, tentou submeter a Coreia do Sul ao seu regime socialista de partido único, contando com o apoio da União Soviética. O presidente dos EUA à data, Harry Truman, decidiu então declarar guerra à Coreia do Norte em nome das Nações Unidas e o país foi arrasado pelos norte-americanos, ainda que a Coreia do Sul tenha também sofrido danos significativos. 

No passado mês de maio, Stavridinis já tinha apontado numa entrevista, também a Catsimatidis, a propósito da invasão da Ucrânia, que a Rússia estava a sofrer um número de baixas sem precedentes nas patentes mais altas, referindo-se à morte de "uma dúzia, se não forem mais", generais russos. O almirante norte-americano chamou mesmo a atenção para o facto de os EUA não terem perdido um único general em combate durante os conflitos no Iraque e no Afeganistão.

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