"Assustar o agressor para não se atrever a atacar-nos". Polónia destaca mais 10 mil soldados para a fronteira com a Bielorrússia

10 ago 2023, 09:44
Fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia (Michal Dyjuk/AP)

Medo de provocações e controlo da passagem de migrantes colocam Varsóvia em alerta

Foram pedidos mil, o governo decidiu mandar dois mil, mas vai haver um novo reforço das forças da Polónia que fazem a segurança na fronteira com a Bielorrússia. O ministro polaco da Defesa anunciou que o país pretende mobilizar mais 10 mil soldados para este, fortalecendo os locais que estão perto da base militar que recebeu os mercenários do Grupo Wagner.

"Cerca de 10 mil soldados vão estar na fronteira, dos quais quatro mil vão apoiar diretamente a Guarda Fronteiriça e seis mil vão estar na reserva", anunciou Mariusz Blaszczak, numa entrevista à rádio pública.

O responsável acrescentou que o objetivo é "aproximar o exército da fronteira com a Bielorrússia para assustar o agressor para não se atrever a atacar-nos".

Este novo destacamento polaco também surge depois de o Ministério da Defesa da Rússia ter anunciado um reforço das suas fronteiras a ocidente, nomeadamente com países que pertencem à NATO, como a Polónia. Para o coronel Mendes Dias este elevar de tensão não é necessariamente uma escalada, mas antes uma "perceção da ameaça" que se corporiza por parte do lado polaco.

Em declarações à CNN Portugal, o militar explica que Varsóvia está a acautelar aquilo que entende ser uma ameaça. "A Polónia está a perceber que há uma ameaça e por isso está a reforçar o seu flanco", afirma, rejeitando a ideia de que a Rússia esteja a pensar atacar um país que pertence à Aliança Atlântica.

O major-general Carlos Branco também entende a decisão do governo polaco, mas alinha na visão de que não vai haver um confronto armado no local. Nem com a Rússia, nem com a Bielorrússia, o que significaria quase o mesmo, uma vez que o regime de Alexander Lukashenko é altamente dependente do Kremlin.

Isto numa altura em que a Bielorrússia continua a realizar alguns exercícios militares junto à fronteira, com Varsóvia a temer constantes provocações por parte do inimigo, numa situação que se tornou mais tensa depois da chegada dos mercenários do grupo liderado por Yevgeny Prigozhin.

O reforço na fronteira entre os dois países também tem uma lógica relacionada com a crise migratória. É que várias pessoas têm tentado atravessar a fronteira vindas do Médio Oriente e de África para entrarem na União Europeia.

Só esta semana, segundo a Guarda Fronteiriça, 19 mil pessoas tentaram atravessar a fronteira da Bielorrússia para a Polónia, sendo que Varsóvia teme que Minsk esteja a alimentar estas travessias.

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