Putin sai em defesa de Trump no dia em que disse ter uma "impressão" sobre o momento em que a Ucrânia vai querer "negociar a paz"

CNN Portugal , DCT
12 set, 12:12
Vladimir Putin no Fórum Económico Oriental, que decorre na cidade russa Vladivostok (Getty Images)

E questionado sobre se se vai candidatar a um novo mandato, Putin já marcou uma data para fazer esse esclarecimento

O presidente da Rússia acredita que a Ucrânia apenas vai dar início às conversações de paz quando “esgotar os seus recursos” na contraofensiva que tem em andamento - a qual, garante Putin, não está a ter resultados e está a levar as tropas ucranianas a sofrer “perdas pesadas” no terreno. 

“Tenho a impressão de que quando a Ucrânia estiver quase a esgotar os seus recursos pode querer iniciar conversações de paz”, disse Vladimir Putin no seu discurso no Fórum Económico Oriental, que decorre esta semana na cidade russa Vladivostok e onde é expectável que se encontre com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Para Putin, o apoio dado pelo Ocidente, sobretudo a nível de defesa aérea com caças F-16, pouca diferença fará no terreno. Mas diz que pode prolongar no tempo o conflito, que entretanto vai contar com a chegada de novos soldados ao campo de batalha. “Eles vão entregar F-16. Isso mudará alguma coisa? Acho que não. Isso apenas prolongará o conflito.”

O presidente da Rússia deu a entender que pode estar em curso uma possível mobilização militar russa, uma vez que são assinados todos os dias entre mil a 1.500 contratos voluntários para cidadãos se alistarem nas forças armadas. Ao todo, tentou precisar Vladimir Putin, “nos últimos seis ou sete meses 270.000 pessoas assinaram contratos voluntários”. No entanto, como nota a Reuters, este é um número ligeiramente inferior aos 280.000 que o ex-presidente Dmitry Medvedev declarou no início deste mês.

Ainda no que diz respeito à guerra na Ucrânia, o presidente russo anunciou que o Serviço Federal de Segurança da Rússia “capturou sabotadores ucranianos” que tentavam danificar “a nossa central nuclear”, referindo-se a Zaporizhzhia, que está sob controlo russo. Putin disse ainda que estes “sabotadores” receberam instruções dos serviços britânicos.

Trump está a ser alvo de uma “perseguição” que mostra a “podridão do sistema americano”

O presidente russo diz-se agradado com as declarações de Donald Trump, que se diz capaz de ajudar mas negociações de paz, mas deixa o aviso de que não haverá mudanças significativas na relação da Rússia com os EUA independentemente de quem chegar à Casa Branca no próximo ano.

Ainda sobre Trump, o presidente russo considera que as recentes acusações contra o antigo presidente norte-americano mostram a “podridão do sistema americano” de justiça.

"Quanto à perseguição de Trump, para nós, no ambiente atual, é boa porque mostra a podridão do sistema americano", disse Putin durante a sua intervenção no Fórum Económico Oriental. "É uma perseguição com motivação política."

Para Putin, há muitas pessoas nos EUA que até procuram manter boas relações com a Rússia, mas garante que, de um modo geral, os EUA vão sempre considerar a Rússia um inimigo permanente.

Quanto a aliados, Vladimir Putin negou esta terça-feira que a Arménia tenha rompido com a Rússia. O presidente russo disse ainda que Yerevan tinha efetivamente aceitado a soberania do Azerbaijão sobre a região separatista de Nagorno-Karabakh.

Putin não anuncia se vai ser candidato à presidência

Questionado se vai concorrer à presidência da Rússia nas eleições do próximo ano, Vladimir Putin evitou dar uma resposta concreta e disse que fala sobre o assunto quando o parlamento russo anunciar as eleições.

“De acordo com a lei, o parlamento deve tomar uma decisão no final do ano”, disse Putin, acrescentando: “Quando as eleições forem anunciadas, quando a data for definida, então falaremos sobre isso”.

As eleições presidenciais na Rússia são oficialmente definidas pelo parlamento e realizam-se a cada seis anos. Há a possibilidade de acontecer uma segunda volta se nenhum candidato conseguir obter mais de 50% dos votos, algo que, segundo o The Guardian, nunca aconteceu.

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