opinião
Correspondente nos Estados Unidos da América

A Cimeira de Biden para tentar salvar a democracia

9 dez 2021, 08:00

Joe Biden é anfitrião de um evento virtual a que chama Cimeira Pela Democracia. Esperam-se denúncias aos ataques que a democracia sofre em muitos países e ideias para a defender.

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Seria uma desagradável hipocrisia se, ao falar das democracias sujeitas a investidas autoritárias, o presidente dos Estados Unidos não se referisse ao que se passa no seu próprio país.

Joe Biden deverá fazê-lo, porque em quase duas dezenas de estados controlados por legislaturas republicanas essa investida está em marcha e sem sinais de abrandamento, consistindo, essencialmente, em alterar as leis eleitorais para que o derrotado nas eleições possa ser de declarado vencedor.

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Esse movimento ganhou força, subitamente, nos Estados Unidos, após a derrota eleitoral de Donald Trump. Mas estava em curso há mais tempo em países como a Hungria, a Turquia, a Polónia ou as Filipinas, em que partidos e dirigentes sem escrúpulos chegaram ao poder através de eleições livres e, logo, usaram o poder assim conquistado para desgastarem ou destruírem a democracia.

A Cimeira organizada por Biden é simbólica. Serão ouvidos apelos ao fortalecimento da democracia através de eleições livres e justas, respeito pelos direitos humanos e combate à corrupção. Mas isso não será o suficiente para travar a vaga autoritária. As massas manipuladas pelos populistas, envenenadas com eficácia nas redes sociais, são o maior obstáculo – caminharão para as suas próprias sepulturas, cegas pelo ódio e animadas pelos bodes expiatórios que lhes são servidos como discurso político.

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A ameaça só pode ser travada se os regimes democráticos se reaproximarem dos seus governados, os ouvirem mais, e lhes derem menos margem para pensar que as insuficiências da democracia se resolvem com menos democracia.

Para além das democracias doentes, existe a ameaça dos regimes abertamente autoritários, como a Rússia. a China, a Arábia Saudita e outros onde esmagar os direitos humanos e afirmar a superioridade do estado é norma quotidiana.

Neste grupo, o país mais perigoso é a China. Ajudada pela credulidade dos países ocidentais, e sobretudo dos Estados Unidos, a China não se democratizou com o aumento da prosperidade no país: criou um capitalismo de partido único que impõe no seu território e encoraja nos países a quem oferece ruinosa ajuda financeira.

Sob estas pressões cruzadas a Cimeira Pela Democracia é água pouca para combater um fogo imenso. Mas é um primeiro passo para soar mais alto o alarme e sem primeiros passos, não há caminhos.

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