Ato III nas três Franças

26 abr, 10:20

Crónica da noite eleitoral em França. Emmanuel Macron reeleito, entre os melhores resultados de sempre da extrema-direita. As três Franças mobilizam-se para as legislativas

Noite caída, diante da Torre Eiffel erguida, intemporal, quase desaparecida no topo dos céus, a marcha lenta do jovem Presidente, ladeado pelas futuras gerações, 9ª sinfonia de Beethoven a acompanhar os passos, sinais do futuro prometido numa França mais fragmentada do que nunca. 

E essa França prometida, garante Emmanuel Macron, reeleito, pertence à Europa e às futuras gerações. No palco, consagrado na História sem tempo como um dos raros - e o mais novo entre todos - a conseguir a reeleição, Macron promete também compromisso com todos aqueles que só votaram nele por necessidade e não por escolha. Mais uma vez.

Mas, mais uma vez, o rumo da História não se interrompe aqui. No teatro político francês, há continuidade na fragmentação. À esquerda agitam-se as fileiras para a próxima mobilização. À direita, reconhece-se vitória na derrota. O Presidente, reeleito, figura principal que soube convencer o centro do palco nos últimos anos, assiste à persistência de outros protagonistas.

E assim, a vitória eleitoral, abrilhantada no simbolismo, foi apenas um recomeço no começo de mais uma volta - a terceira volta. Noite caída, as três Franças continuam em cena. O futuro prometido alguma vez será futuro conseguido? A peça segue dentro de momentos.

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