Eleição de Macron é um alívio para o Ocidente, mas uma vitória histórica da extrema-direita é uma ameaça iminente (análise)

CNN , Análise de Luke McGee
25 abr, 16:57
A vitória de Emmanuel Macron (AP)

Emmanuel Macron cumprirá um segundo mandato como presidente de França – a primeira pessoa a fazê-lo desde 2002.

A sua vitória sobre a rival de direita, Marine Le Pen, por uma margem relativamente confortável de 58,55% para 41,45% será recebida com um enorme suspiro de alívio nas capitais dos mais proeminentes aliados da França – sobretudo em Bruxelas, sede da União Europeia e da NATO.

Apesar de Macron ter sido sempre o favorito a vencer esta corrida, a invasão russa da Ucrânia destacou, para muitos, a necessidade de união ocidental face à agressão de um beligerante que procura miná-la. Entre os aliados da NATO e da UE, essa união ficou mais ou menos suspensa durante a crise, mas os dirigentes temiam que uma vitória de Le Pen pudesse abalar a relação transatlântica.

Le Pen poderia ser considerada a menos favorita para os líderes aliança ocidental para governar um país tão importante como a França.

A França é membro da NATO, da UE e do G7. Tem assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e é uma potência nuclear. No entanto, apesar da sua incorporação sólida nestes pilares da ordem ocidental, a França também favorece historicamente uma política externa autónoma, o que significa que pode atuar como intermediário entre a ordem ocidental liderada pelos EUA e nações como o Irão, a China e a Rússia.

Os laços anteriores de Le Pen com a Rússia, a visão pouco entusiasta da NATO e a visão hostil da UE significavam que a sua vitória teria provocado agitação por todo o mundo.

No entanto, a escala da vitória de Macron este domingo significa que as celebrações serão encurtadas para muitos aliados dos franceses. Longe da impressionante vitória de Macron em 2017, onde derrotou Le Pen confortavelmente com 66% dos votos, essa margem é agora muito menor.

Apesar de derrotar a extrema-direita pela segunda vez ser uma grande vitória para Macron, os aliados dos franceses estarão muito atentos ao facto de que quase 42% dos eleitores franceses terem apoiado alguém que se opõe a muito do que eles defendem.

Apatia do eleitorado
Escolher entre os mesmos dois candidatos de há cinco anos fez com que os eleitores franceses se abstivessem em massa na segunda volta da eleição presidencial – ainda mais do que na primeira volta.

Visão de unidade europeia

Em nenhum lugar isto será sentido de forma mais intensa do que entre os dirigentes da NATO e da UE.

Para a NATO, a invasão da Ucrânia pela Rússia tem sido o primeiro verdadeiro teste à união da aliança, em muitos anos. Apesar das dúvidas levantadas em algumas das decisões tomadas por Macron durante a crise, a NATO tem estado em grande parte sem sintonia.

Com base na relação anterior de Le Pen com Putin e no desdém pela NATO, muito poucos acreditavam que isso não levantaria problemas, não só na NATO, mas também no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Vale também a pena salientar que, embora Putin não tenha conseguido ter o seu candidato preferido no Eliseu, Le Pen continuará a ser uma figura influente em França, onde tem um enorme apoio. Embora a sua perda signifique uma continuação da política mais hostil da França em relação à invasão de Putin, a Rússia ainda tem um valioso disruptor num país europeu chave que provavelmente continuará a incentivar divisões em França e não só.

Uma segunda volta mais renhida
A vitória de Macron contra Le Pen em 2022 foi muito mais renhida do que na eleição de 2017. Vinte e seis distritos eleitorais e dois territórios ultramarinos votaram maioritariamente em Le Pen. E em cada distrito que ele venceu em 2017, com exceção da Nova Caledónia, a sua margem de vitória diminuiu.

No que diz respeito à UE, Macron não tem tímido quanto ao seu desejo de que a Europa se torne mais forte e mais unida em termos da sua segurança e da sua política externa. A sua visão de unidade europeia irrita, por vezes, muitos dos seus homólogos, que consideram que está a tentar forçá-lo através de uma visão francesa para a Europa, embora o seu compromisso com o projeto não possa ser posto em causa.

Le Pen, por outro lado, é mais perigosa do que alguém que quer que a França saia da UE: ela conseguiria liderar o grupo de eurocéticos que querem assumir o bloco a partir de dentro.

Há um número significativo destas pessoas já representadas nas instituições da UE. No parlamento, os partidos de extrema-direita estão representados em vários países. A situação é mais confusa quando se trata da liderança nacional da Europa.

Há Estados-membros da UE, nomeadamente a Hungria e a Polónia, que são liderados por pessoas cuja visão da UE é muito próxima da de Le Pen. Isto foi sublinhado no ano passado quando se juntou a vários outros líderes de direita, incluindo líderes nacionais, numa carta aberta contra muitas das ideias progressistas que foram propostas ao longo das últimas décadas por Bruxelas.

Assim, embora muitos dos líderes europeus tenham sido rápidos a felicitar Macron, estarão profundamente conscientes de que este sentimento anti-UE e anti-Ocidente ainda está muito vivo em França - indiscutivelmente o Estado-Membro mais poderoso da UE.

Para o Ocidente tradicional, o segundo mandato de Macron é um momento de grande alívio, mas também um momento de alerta. Se a extrema-direita continuar a conquistar terreno, poderá haver um resultado muito diferente daqui a cinco anos.

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