Ciberataque à Vodafone "teve origem num ato terrorista e criminoso"

8 fev, 11:52

A Vodafone foi alvo de um "ciberataque deliberado e malicioso com o objetivo de causar danos e perturbações" na noite de segunda-feira. Quatro milhões de clientes foram afetados

A Vodafone Portugal afirma que o ciberataque de que foi alvo "teve origem num ato terrorista e criminoso" à rede, acrescentando que o "objetivo deste ataque foi tornar indisponível a rede e com um nível de gravidade para dificultar ao máximo a recuperação dos serviços".

"Cerca das 21:00 sofremos uma interrupção abrupta de uma quase totalidade dos nossos serviços de telecomunicações. Ficámos sem redes e sem hipóteses de contacto com os nossos clientes. Colocámos de imediato em ação o nosso gabinete de crise. Recuperámos o serviço de voz cerca das 22:00. Recuperámos os dados 3G já perto da meia-noite. Recuperámos esta manhã o serviço de SMS ponto a ponto. Recuperámos também de uma forma expressiva os clientes de televisão. Não tivémos indisponibilidade do serviço de internet fixa. Detetámos que a mesma tinha origem num ato terrorista e criminoso à nossa rede", afirmou Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal.

Para quando a recuperação de serviços? A empresa garante que tem todos os meios empenhados para "refazer tudo aquilo que foi desfeito". Também as operadoras concorrentes se mostraram disponíveis para ajudar a repor os serviços. 

"É um trabalho moroso, que tem de ser feito numa determinada sequência e com a garantia que cada serviço que recuperamos é o mais estável possível para termos a certeza que podemos por uma nova camada de serviços", adianta o CEO.

Mário Vaz afirma ainda que, durante a tarde, a empresa acredita recupera os dados móveis 4G, mas "com um elevado grau de incerteza". Quanto à rede 3G "é uma rede com pouca capacidade", e que por isso, os serviços de voz estão a ser penalizados, mas o responsável diz que empresa teve de estabelecer prioridades para dar soluções aos clientes até repor os dados móveis.

Quanto às mensagens de texto, as SMS ponto a ponto já foram repostas mas, por exemplo, serviços bancários ainda não estão disponíveis.

"Não há indícios de acesso a dados de clientes"

Pedindo desculpas e compreensão aos clientes, o CEO da empresa afirmou ainda que sobre o ataque não iria revelar informações, dizendo apenas que estão a colaborar com o Núcleo de Cibercrime da Polícia Judiciária, que já esteve no edifício. Também a ANACOM e o Centro Nacional de CIbersegurança já foram notificados do ataque.

"A investigação continua, será certamente aprofundada, mas a esta data não temos indícios de que tenha havido acesso ou corrupção de dados de clientes. Este foi um ataque dirigido à rede, não foi dirigido a sistemas, com o propósito de deixar os nossos clientes sem serviço".

Enaltecendo o trabalho da equipa de cibersegurança, o responsável disse ainda que a Vodafone é alvo de centenas de ataques regularmente e que este foi apenas o primeiro que não conseguiram evitar.

Mário Vaz revelou ainda que o ataque afetou quatro milhões de clientes dos vários serviços da empresa, incluindo correios, bombeiros e também o INEM.

"Continuamos a trabalhar de forma muito próxima com a equipa do INEM, com várias soluções alternativas. Não são as ideais, não são as suficientes, neste momento muito baseado nos serviços de voz e nos serviços de 3G. Houve afetação da atividade normal de muitos serviços durante a madrugada".

Quanto aos serviços empresariais, muitos continuam indisponíveis, como é o caso serviço OneNet, que foi interrompido para garantir que outros serviços estavam disponíveis. 

Sobre a SIBS, o CEO da Vodafone Portugal Mário Vaz confirmou a falha nos serviços e revelou que a empresa está a trabalhar para colocar a rede 4G operacional e resolver o problema.

"A SIBS é um cliente Vodafone. A sua rede de multibancos está suportada na rede Vodafone. Alguns dos ATMS tem como rede de interligação a rede móvel de dados, a tal que esteve indisponível até perto da meia noite quando começámos a ligar os serviços em 3G. Quando começámos a ligar os serviços em 3G recuperaram. Vários clientes tiveram a experiência de multibancos não disponíveis por causa da suspensão de serviços Vodafone. Pese embora, nós tenhamos com a SIBS um serviço que minimize os impactos. Mas, eles existiram e não estão totalmente resolvidos. Esta dependência da rede 4G para a sua total resolução é crítica e é essa a nossa prioridade máxima".

A Vodafone revelou, em comunicado, que foi alvo de um "ciberataque deliberado e malicioso com o objetivo de causar danos e perturbações" durante a noite de segunda-feira e até ao momento, a operadora já conseguiu repor "os serviços de voz móvel e os serviços de dados móveis exclusivamente na rede 3G em quase todo o país". 

As falhas no serviço móvel, na rede de Internet e no serviço de TV da Vodafone começaram na noite de segunda-feira. Apesar da falha técnica não ser generalizada, a empresa informava, na altura, que esta estava a afetar uma percentagem significativa de clientes, lamentando "os incómodos causados". 

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