Presidentes do Sporting juntos na abertura da época

4 jul 2000, 00:12

«Interesses do clube estão acima de tudo»

Após muitas horas de espera por parte dos jornalistas e dos adeptos do Sporting que se deslocaram hoje (segunda-feira) a Alvalade para presenciar o arranque da nova temporada, José Roquette e Luís Duque promoveram a anunciada conferência de imprensa conjunta ao final da tarde. 

O líder do clube e o líder da SAD apresentaram-se na sala António Capela ladeados por Augusto Inácio e Paulo Bento, que no entanto só falariam depois da retirada dos dois presidentes do Sporting que se desentenderam publicamente há semana e meia e entregaram pedidos de demissão. 

José Roquette foi o primeiro a tomar a palavra. Depois de avisar que só se admitiriam questões relacionadas com o plantel - vedando a conversa a tudo o que se relacionasse com a crise directiva que se vive em Alvalade -, o presidente do Sporting e da sociedade que gere as participações sociais do clube passou ao que afinal o havia levado até ali: «É importante reter que no Sporting há capacidade para ultrapassar as incidências pessoais a fim de que o essencial seja salvaguardado. Os superiores interesses do clube foram cuidados e cuidou-se da preparação da época desportiva de forma adequada, apesar das limitações que são do conhecimento público.» 

Após dar «as boas-vindas ao Paulo Bento» e desejar que «a época decorra dentro do melhor ambiente e do melhor enquadramento, de modo a que se possa ter o sucesso pretendido», Roquette passou a palavra a Luís Duque. 

Mais tarde seria interpelado para responder a algumas questões sobre o futuro próximo da liderança leonina, mas manteve o prometido e não se lhe arrancou uma palavra a propósito do assunto. 

«Agradeço as condições que nos estão a ser dadas» (Luís Duque) 

Em política não basta ser, é preciso parecer. Em política desportiva, provavelmente, às vezes basta apenas parecer. 

Os dois dirigentes máximos do clube de Alvalade esforçaram-se por passar uma imagem de paz, ainda que provisória, e conseguiram-no. No plano prático, registe-se que na verdade, e apesar de todas as convulsões, o Sporting anunciou seis contratações em dois dias. 

Luís Duque, presidente demissionário da SAD, sublinhou isto mesmo e fez questão de deixar palavras de cortesia para com o homem que tinha sentado à sua esquerda: «Agradeço ao senhor presidente ter-se disposto a acompanhar-nos. Já em Dezembro passado foi fácil fazer as contratações de que precisávamos devido ao apoio e ao empenhamento do senhor presidente.» 

Mais à frente, Duque reforçou as palavras de apreço com frases que há dois dias seriam pouco menos que imagináveis: «Agradeço uma vez mais as condições que nos estão a ser dadas, e que sempre nos foram dadas desde que cheguei ao clube, para que o Sporting tenha oportunidade de, desde que em pé de igualdade com os outros, lutar até ao fim pelo Campeonato Nacional.» 

Os «sim» e os «talvez» 

Paradoxalmente, a grande novidade do discurso de Luís Duque relacionou-se com algo que já há muito se sabia: «O Dimas não pôde estar aqui presente, mas também é jogador do Sporting.» 

A frase veio no seguimento do anúncio oficial das assinaturas de Paulo Bento, Mahon, Kirovski e Phil Babb, acrescentadas à recordação da contratação de João Pinto, firmada ontem. 

A validade dos contratos dos internacionais portugueses que já jogaram no Benfica foi assunto a que Duque respondeu de forma algo confusa. De qualquer forma, percebeu-se que Paulo Bento é jogador do Sporting por três anos, enquanto Dimas e João Pinto se comprometeram por quatro temporadas. 

Luís Duque afirmou que «para já são estes os reforços que se entendem úteis e necessários», mas deixou em aberto a possibilidade de «haver mais um jogador a integrar o plantel do clube». 

Ficou por saber se Simão Sabrosa pode ser esse jogador ou se haverá outro alvo do interesse leonino além do jovem que há um ano o Sporting viu partir para Barcelona. 

Seja como for, «nunca se pode dizer que um plantel está fechado, pois a qualquer momento pode haver alterações inesperadas». Duque referia-se à possibilidade de transferência de algum jogador, na medida em que «o Sporting tem um bom plantel e podem sempre surgir interessados nalgum atleta». 

Sobre Simão, Duque pouco adiantou: «Ele já disse que gostava de jogar no Sporting se fosse emprestado pelo Barcelona. Vamos aguardar que o Barcelona ceda à vontade do atleta.» 

Simão Sabrosa, contactado pelo Maisfutebol no decorrer de umas férias em Paris, garantiu nada saber em concreto até ao momento. 

A propósito da propalada saída de Vidigal para o Nápoles, Luís Duque confirmou apenas que «há interesse de alguns clubes europeus» e que «essa saída, como todas, é uma possibilidade que tem que ser encarada». 

Antes de terminar, o presidente da SAD do Sporting lembrou ainda os feitos curriculares de Mahon - «internacional irlandês que joga de pé esquerdo e pode suprir a saída de De Franceschi» -, Kirovski e Babb. 

Para trás - em rigor lá para o início da intervenção de Duque - já tinham ficado «agradecimentos públicospela ajuda na conquista do Campeonato» a De Franceschi, Robaina, Marcos, Viveros, Fumo, «que vai ser emprestado», e Duscher, «cujas negociações para a sua saída estão a ser concluídas».

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