"Esta situação constitui um risco para o país": a reação da primeira-ministra francesa aos resultados das legislativas

Agência Lusa , BCE
19 jun, 22:37
A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, reage aos resultados das legislativas (Ludovic Marin/AP)

Elisabeth Borne sublinhou que “as múltiplas sensibilidades” no parlamento vão “ter de se associar”

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, considerou este domingo que os resultados das legislativas constituem um “risco para o país” e apelou a uma “maioria de ação” e à “união”, prometendo “diálogo” da parte do governo e do presidente.

“Esta situação constitui um risco para o nosso país, tendo em conta os desafios que temos de enfrentar tanto a nível nacional, como a nível internacional. Mas temos de respeitar esta votação e tirar as devidas consequências”, declarou Elisabeth Borne no palácio de Matignon, a residência oficial do primeiro-ministro, em reação aos resultados da segunda volta das eleições legislativas.

Borne defendeu que a coligação presidencial Ensemble! (Juntos!, em português) é a “força central” da nova Assembleia da República, devendo, por isso, “assumir uma responsabilidade particular” na nova configuração legislativa.

“A partir de amanhã, construiremos uma maioria de ação: não há nenhuma alternativa a essa união para garantirmos a estabilidade para o nosso país e levarmos a cabo as reformas necessárias”, defendeu.

Numa altura em que, segundo as projeções, a coligação presidencial terá de negociar com outras forças políticas para conseguir aprovar reformas ou projetos de lei, a primeira-ministra sublinhou que “as múltiplas sensibilidades” no parlamento vão “ter de se associar”.

Nesse sentido, Borne apelou a que se construam “bons compromissos” para agir “ao serviço da França” e defendeu que os franceses pedem que os partidos se unam “em nome do país”.

“Tenho a certeza que nos podemos unir de forma larga, pelo emprego pleno, por uma transição ecológica ambiciosa, pela igualdade de oportunidades, pela escola e a saúde, pela nossa soberania industrial, energética e agrícola”, frisou.

A primeira-ministra referiu que, tanto o governo como o Presidente da República, Emmanuel Macron, vão “trabalhar em diálogo, escutando as francesas e os franceses e todas as forças vivas” presentes no território francês.

“Tenho confiança no nosso país, confiança em todos nós e no nosso espírito de responsabilidade. Temos tudo para ter sucesso e é juntos que o conseguiremos. Viva a República, viva a França”, concluiu.

Emmanuel Macron, perdeu a maioria absoluta no parlamento, indicam as primeiras projeções, que também apontam para uma forte subida da extrema-direita.

Caso se confirmem estes resultados, significam um importante revés para o presidente francês, que será forçado a procurar alianças para aplicar o seu programa de reformas nos próximos cinco anos.

Republicanos recusam “pacto de Governo” com Macron

Os Les Républicans (LD), a direita tradicional francesa, excluiu esta noite uma aliança com o Governo para garantir uma maioria no parlamento.

“Fizemos campanha na oposição, estamos na oposição e vamos permanecer na oposição. As coisas foram muito claras”, precisou em conferência de imprensa o presidente do LD, Christian Jacob.

O dirigente da LS recusava desta forma uma proposta previamente avançada pelo ex-ministro de Macron, Jean-François Copé, que pediu um acordo entre o LD e a coligação “Ensemble” que até agora garantia uma maioria presidencial no parlamento.

De acordo com os últimos resultados, o Les Républicans pode eleger entre 70 e 80 deputados, e o seu apoio será decisivo para que o partido de Macron garanta uma maioria estável na Assembleia nacional.

A coligação Ensemble! (Juntos!) do presidente obterá entre 200 e 260 lugares, muito longe da maioria absoluta de 289 deputados (num total de 557) na Assembleia nacional.

Já a aliança de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), liderada por Jean-Luc Mélenchon, situa-se entre 150 e 200 deputados, tornando-se no primeiro grupo da oposição no parlamento, segundo as projeções.

O partido de extrema-direita Rassemblement National (União Nacional) de Marine Le Pen, garante entre 60 e 100 deputados segundo as mesmas fontes, o que representa um considerável reforço do seu grupo parlamentar.

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