Extrema-direita francesa pode atingir resultado histórico. "Estamos a tornar-nos no maior grupo da história da nossa família política", diz Marine Le Pen

19 jun, 20:27

Especialistas ouvidos pela CNN Portugal admitem preocupação face a este reforço considerável do grupo parlamentar da extrema-direita na Assembleia Nacional

As primeiras projeções dos resultados da segunda volta das eleições legislativas francesas indicam uma forte subida da extrema-direita na Assembleia Nacional. A confirmarem-se as estimativas, o Rassemblement National (União Nacional), de Marine Le Pen, pode passar de oito deputados para 100.

Conhecidas as primeiras projeções, Marine Le Pen não demorou a reagir, tendo sido mesmo a primeira a discursar perante a Nação, regozijando-se com o resultado que, nas suas palavras, demonstra que o povo está do seu lado: "Estamos a tornar-nos no maior grupo da história da nossa família política."

“Conseguimos os três objetivos a que nos propusemos: fazer de Emmanuel Macron um presidente minoritário; prosseguir a necessária reorganização política, para constituir um grupo de oposição decisivo contra os destruidores de cima, de Macron, e de baixo, a extrema-esquerda", salientou.

A líder da extrema-direita francesa prometeu ainda que o partido vai fazer uma oposição “firme” e “sem conluio”, ainda que de forma “responsável e respeitosa” das instituições francesas.

Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal admitem preocupação face a este reforço considerável do grupo parlamentar da extrema-direita na Assembleia Nacional. Victor Ângelo, ex-secretário-geral adjunto da ONU, classifica mesmo este resultado como "uma subida espetacular e, ao mesmo tempo, preocupante".

"Há que tomar em atenção toda a ação futura de Marine Le Pen. Ela é, de facto, um perigo para a democracia em França e para a unidade europeia", adverte.

"Uma má notícia para a Europa"

João Ribeiro Bidaoui, do Observatório da Política Externa Nacional, salienta que, com este crescimento significativo no parlamento francês, a União Nacional passa a ter um grupo parlamentar com mais financiamento público, além de poder também apresentar moções de censura e pedir fiscalização constitucional de diplomas.

"Passa a ter muito mais poder, muito mais acesso mediático e a estar muito mais presente no palco político francês. E isso é, obviamente, uma má notícia para a Europa", afirma. Isto porque, acrescenta, o partido de Marine Le Pen "vai reforçar o discurso europeísta no parlamento francês e nas televisões", o que é só "a pior notícia que o presidente Macron poderia ter recebido", uma vez que o reforço da integração europeia é precisamente uma das suas bandeiras políticas.

"Naturalmente, esse caminho está agora mais minado", antecipa.

A mensagem de Ventura: "Estamos a mudar a Europa"

Entretanto, André Ventura congratulou os resultados do União Nacional e do Vox (partido de extrema-direita que conquistou 14 mandatos nas eleições regionais na Andaluzia) e que se tornaram esta noite a "terceira força política" nos respetivos países.

“Deixo aqui os parabéns, em nome do Chega, ao Vox e à Rassemblement National [RN], pelos resultados alcançados (…). Estamos a mudar a Europa. Somos todos, indiscutivelmente, a terceira força política nos nossos países”, escreveu André Ventura na rede social Twitter.

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