Legislativas francesas: Emmanuel Macron perde maioria absoluta e extrema-direita é terceira força mais votada

Rafaela Laja | Beatriz Céu | Bárbara Cruz , atualizada às 06:25 de 20/06
19 jun, 19:04

Coligação do presidente francês garantiu a maioria dos lugares no parlamento, mas perdeu a maioria absoluta. Coligação de esquerda ficou em segundo, União Nacional de Le Pen conquistou terceiro lugar e terá 89 assentos da Assembleia Nacional

A coligação de Emmanuel Macron perdeu a maioria absoluta, apesar de manter a maioria no parlamento francês. De acordo com os resultados oficiais, divulgados na madrugada desta segunda-feira pelo Ministério do Interior francês, a coligação presidencial Juntos! (Ensemble!, em francês) conquistou 245 assentos dos 577 da Assembleia Nacional (38,57% dos votos).

A coligação de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), liderada por Jean-Luc Mélenchon, surge em segundo lugar com 131 deputados (31,60% dos votos). Estes dados significam uma duplicação dos lugares em relação aos 63 que os quatro partidos que compõem o NUPES tiveram em 2017, quando se apresentaram separadamente (La France Insoumise, o Partido Socialista, o Partido Comunista Francês e os Verdes).

Em terceiro, o movimento Rassemblement National, a União Nacional, de Marine Le Pen, de extrema-direita, que conquistou 89 assentos na Assembleia Nacional, 17,30% dos votos, dando um salto gigante em relação aos oito deputados que tinha conseguido em 2017, quando na segunda volta obteve 8,75% dos votos.

O clássico Partido Republicano de direita sofreu um grave revés, já que os 61 deputados alcançados ficam bem abaixo dos 112 de há cinco anos atrás. Em percentagem de votos, caiu de 22,23% para 6,98%.

Com esta nova configuração, o governo Macron será obrigado a procurar aliados e, nas suas primeiras declarações, a primeira-ministra Elisabeth Borne alertou que esta nova Assembleia Nacional constitui “um risco” para o país.

A abstenção rondou os 54%, mais elevada face à primeira volta da passada semana.

O sobressalto republicano

Depois de, na primeira volta das eleições presidenciais francesas, a coligação de esquerda NUPES e a coligação presidencial Juntos! terem ficado separadas por cerca de 20 mil votos, Macron vinha repetindo os apelos a um “sobressalto republicano” nesta segunda volta. Pelo contrário, Jean-Luc Mélenchon, tinha pedido que estas eleições fossem uma “terceira volta” das eleições presidenciais.

Os eleitores franceses deslocaram-se este domingo às urnas para votar na segunda volta das eleições legislativas, após a coligação presidencial e a esquerda terem registado um empate técnico na primeira volta, colocando a maioria absoluta de Macron em risco.

As urnas estiveram abertas entre as 08:00 (07:00 de Lisboa) e as 18:00 nas áreas rurais e pequenas cidades, e até às 20:00 (19:00 em Lisboa) nas grandes cidades.

Estas eleições vão definir a composição da Assembleia Nacional francesa, depois de, nas últimas eleições legislativas, em 2017, o partido de Emmanuel Macron, ‘La République en Marche’, ter obtido uma maioria absoluta confortável, com 351 deputados num total de 577.

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