Isabel II e Carlos III receberam mais de mil milhões de libras pela venda de terrenos e propriedades

5 abr, 15:58
William e Catherine são fotografados com os filhos durante o Jubileu em junho

Investigação revela ainda que as receitas dos dois monarcas aumentaram 16 vezes durante o reinado da falecida rainha

A rainha Isabel II e o rei Carlos III terão recebido mais de mil milhões de libras (1,1 mil milhões de euros) pela venda de dois terrenos e propriedades nos ducados de Lancastre e Cornualha, revela uma grande investigação do jornal Guardian que começou a ser divulgada esta quarta-feira e que tem como foco o dinheiro e a riqueza da família real.

O jornal britânico teve por base o total dos rendimentos reais retirados dos ducados de Lancastre e Cornualha (herdado pelo príncipe William em setembro), onde se encontram a maior parte das terras e propriedades reais. De acordo com a investigação, os ducados são usados como impérios imobiliários administrados de forma profissional, uma vez que gerem propriedades como terrenos agrícolas, hotéis, castelos, escritórios, lojas e até imóveis de luxo.

No entanto, apesar de serem consideradas propriedades de investimento substancial, não pagam imposto de rendimentos ou sobre capitais. E é aí que começa o debate, que na realidade já dura há várias décadas, sobre se os lucros destas propriedades não deveriam revertem em favor da população e não da família real.

Contactado pelo jornal, o palácio de Buckingham recusou comentar os números dos rendimentos que terão tido origem dos ducados, descrevendo os valores avançados como "especulativos". A Família Real tem afirmado, ao longo dos anos, que aplica os lucros nas tarefas oficiais da família, obras públicas ou causas solidárias.

Nas últimas sete décadas - os 70 anos de reinado de Isabel II - os ducados da família real aumentaram substancialmente os lucros (cerca de 16 vezes), com Isabel II e Carlos III a receberem, em 2022, 41,8 milhões de libras (47,65 milhões de euros), valor que à inflação atual ultrapassa o 1,2 mil milhões (1,10 mil milhões de euros).

O ducado de Lancaster tem 18.481 hectares de terra rural, está avaliada em 652 milhões de libras, e os lucros revertem automaticamente para o monarca no trono. 

Já o ducado da Cornualha vale mais de 1 mil milhões de libras e os lucros revertem automaticamente para o herdeiro masculino do trono, neste caso William. Em setembro, depois da morte da rainha Isabel II e com a ascendência do príncipe Carlos ao trono, William e Kate receberam o título de duques da Cornualha e, consequentemente, assumiram também o ducado da Cornualha

De acordo com o jornal The Guardian, os príncipes William e Catherine herdaram património que, só no último ano, rendeu ao então príncipe Carlos 21 milhões de euros.

O ducado da Cornualha, que esteve nas mãos de Carlos III por mais de 50 anos, é composto por mais de 52.450 hectares de terrenos, o que faz de William e Catherine dos maiores proprietários de terras da Inglaterra.

O ducado da Cornualha tem terras em 20 condados na Inglaterra e no País de Gales - a maioria não estão na Cornualha - que se estende de Devon a Kent e Carmarthenshire a Nottinghamshire.

Entre as propriedades, estão locais como o campo de cricket Oval, no centro de Londres, que está alugado pelo clube de cricket do condado de Surrey desde 1874, a prisão de Dartmoor, e um centro de jardinagem em Lostwithiel, na Cornualha.

No final de março do ano passado, os rendimentos líquidos do ducado foram avaliados em mil milhões de euros, sendo que a maior parte da receita tem origem em propriedades de investimento.

"A receita da propriedade [ducado] é usada para financiar as atividades públicas, privadas e de caridade do duque e da família imediata", lê-se no site oficial do ducado.

Enquanto o rei Carlos III foi duque da Cornualha, ao longo de 52 anos, o ducado foi gerido, de acordo com a nota oficial, de maneira “sustentável, financeiramente viável e de valor significativo para a comunidade local”, com o trabalho a ser moldado tendo em conta os seus interesses pessoais, quer na arquitetura quer na sustentabilidade, incluindo a agricultura orgânica.

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