Iniciativa liberal quer ir buscar votos aos “desencantados do Bloco, do PAN e do PS"

12 dez 2021, 22:51

Em entrevista à CNN Portugal, Cotrim de Figueiredo traçou a sua estratégia eleitoral, da política aos serviços públicos e destacou que interessa aos partidos maiores que haja uma conotação negativa às ideias liberais

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João Cotrim de Figueiredo, líder da Iniciativa Liberal, defende que é preciso relembrar a herança que Sócrates deixou no Partido Socialista e sublinhou, em entrevista à CNN Portugal, que o partido quer ir buscar os votos aos “desencantados do Bloco de Esquerda, do PAN e do PS”.

Cotrim de Figueiredo realça que “há muita coisa para liberalizar em Portugal”, sendo que, na sua ótica, os portugueses não têm tido consciência da forma gradual de como “o Estado se tem metido nas nossas vidas”.

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Há coisas que são óbvias. Quando as pessoas se dirigem a serviços públicos que não funcionam, porque o Estado não está a para funcionar ou porque é omnipresente na percepção desses serviços. Ou quando pagamos taxas e taxinhas de serviços a que precisamos de recorrer”, afirma, descrevendo que estes “pequenos acrescentos” fazem com que a população “não dê conta” de como o Governo “domina em demasiado” a nossa sociedade.

Para justificar a sua posição, o liberal lembra que o país tem uma despesa pública “acima dos 40% do PIB” e que temos 750 mil funcionários públicos.

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Concretamente, o partido quer uma reforma da lei eleitoral, propondo círculos uninominais e um círculo nacional de compensação, de forma a que meio milhão de votos que em todas as legislativas ficam por representar no parlamento, “passassem a ter representação”. 

Na economia, a proposta passa pela simplificação e desagravamento fiscal do IRS e do IRC, mas os liberais também pretendem fazer uma “revisão profunda das funções regulatórias do Estado”, “para favorecer a concorrência”.

Nos serviços públicos, João Cotrim de Figueiredo pretende faxer do SNS um “serviço de acesso universal a efectivos cuidados de saúde a tempo e com qualidade”. “Assim que retirámos a exclusividade do tratamento da covid-19 dos serviços públicos, acabámos por ter caos nos hospitais e demissões sucessivas”.


Voto útil

Considerando que o voto útil em si é uma “perversão” e que o apelo costuma ser dos partidos maiores, Cotrim de Figueiredo diz que aquilo que pediu na convenção do partido foi “uma brincadeira exatamente para inverter essa forma de discutir”.

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“As pessoas que querem mudar o estado das coisas podem ser tentadas a achar que só há uma forma de mudar as coisas, votando num partido grande. Nós dizemos não, nós trazemos a exigência, determinação e coragem”, afirma, atirando para a grande representação dos jovens no partido.

Cotrim de Figueiredo reconhece que arriscou ao estabelecer o objetivo de conseguir eleger cinco deputados, mas nega que o mesmo seja irrealista. “4,5% dos votos que nos darão esses mandatos são cerca de 220 mil pessoas”.

Como público-alvo de ataque, o liberal não tem dúvidas: quer puxar para si os desencantados do PSD e CDS mas não só. “Também temos muitos desencantados do Bloco de Esquerda, do PAN e do PS”.

Questionado sobre a carga que as ideias liberais têm em Portugal, o líder político sente esse peso, ainda que “cada vez menos”. No entanto, remata: “interessa aos partidos estadistas criar essa ideia, nomeadamente quando se acrescenta à palavra liberal o prefixo ‘neo’.

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