Lisboa-Margem Sul em metade do tempo: vem aí uma nova ponte sobre o rio Tejo

14 mai, 20:04
Rio Tejo (foto: Eduardo Goody/Unsplash)

Planos para a terceira travessia do Tejo remontam a 2008, mas acabaram congelados. Plano Ferroviário Nacional já previa a ligação até 2050 e o plano que o novo Governo de Montenegro quer implementar significará ganhos de tempo que, em alguns casos, vão atingir os 50%

A par do novo Aeroporto de Lisboa, o Governo anunciou também a criação de uma nova ponte sobre o rio Tejo que irá ligar Chelas ao Barreiro, prometendo em alguns casos reduzir o tempo de viagem em alguns troços para metade. 

De acordo com a maquete apresentada pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação e que está em avaliação, este novo eixo vai ter “um papel complementar” às travessias já existentes nas duas pontes que cruzam o Tejo, a 25 de Abril e a Vasco da Gama, uma vez que, explica a tutela, o “nível de serviço” e a “fiabilidade” dessas passagens está em “declínio”. 

Em particular, a nova travessia deverá "libertar os constrangimentos de capacidade da infraestrutura ferroviária nas ligações a sul", nomeadamente aumentando a "competitividade dos serviços ferroviários entre Lisboa e a região sul, Alentejo e Algarve, com redução de cerca de 30 minutos face aos percursos atuais, bem como aumento da frequência dos serviços". Tal como uma redução dos tempos entre Lisboa e Barreiro para 10 minutos.

Nos planos do Governo para esta terceira ponte sobre o Tejo está um reforço da acessibilidade direta no corredor entre Lisboa e o Barreiro, mas também a melhoria das acessibilidades de Lisboa ao triângulo Barreiro-Moita-Coina. É neste percurso que o ministério de Miguel Pinto Luz aposta em reduções de tempo que, “em alguns casos”, vão representar “ganhos de 50%”.

Para além disso, este novo eixo vai ter acesso ao novo aeroporto definido para Alcochete, tal como vai integrar as linhas ferroviárias de Cintura - que engloba as radiais com terminações na capital como Cascais, Sintra/Oeste e Sul - e igualmente a linha do Alentejo.

Este projeto remonta a 2008, ano em que a localização da travessia do Tejo foi publicamente definida como Chelas-Barreiro, uma decisão que substituiu a opção anterior Beato-Montijo e que gerou controvérsias, nomeadamente pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Ferroviário que sublinhou que esta opção aumentava em cerca de 40% a distância por via ferroviária da Gare do Oriente ao campo de Tiro de Alcochete, “incentivando as deslocações” para o novo aeroporto “por via rodoviária pela ponte Vasco da Gama”.

O projeto da terceira travessia viria a ser aprovado em 2009, mas em meados de 2010 António Mendonça, à altura ministro das Obras Públicas, anunciou que seria dada prioridade à secção ferroviária do projeto antes de todo o plano ser atrasado perante a crise económica e a intervenção da Troika em Portugal. 

A possibilidade de uma nova ponte sobre o Tejo viria a ser colocada em cima da mesa há dois anos pelo ex-primeiro-ministro António Costa durante a apresentação do Plano Ferroviário Nacional. A ideia era que o troço entre Chelas e Barreiro ficasse pronto até 2050, prevendo-se na altura uma "redução em, pelo menos, 30 minutos o acesso de Lisboa ao Alentejo e Algarve".
 

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