"O país não merecia". Costa queria Centeno como primeiro-ministro mas Marcelo "entendeu ir a eleições"

9 nov, 22:04

Primeiro-ministro diz que Presidente da República recusou uma "solução estável", acabando por anunciar eleições antecipadas

António Costa propôs ao Presidente da República a escolha de Mário Centeno para o cargo de primeiro-ministro, revelou o líder socialista à chegada à sede nacional do PS, onde se reúne esta quinta-feira a Comissão Política do partido, depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado a dissolução da Assembleia da República.

"O Presidente da República entendeu que em vez de ter uma solução estável num governo reforçado sob a liderança do doutor Mário Centeno, entendeu ir a eleições", disse o primeiro-ministro demissionário..

Em declarações aos jornalistas que aguardavam a sua chegada, António Costa disse que competia ao Partido Socialista "apresentar uma solução alternativa que permitisse poupar ao país meses de paralisação até às eleições". Por esse motivo, o primeiro-ministro sugeriu uma personalidade "com forte experiência governativa" que tinha "todas as qualidades", mas Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou a solução proposta.

"O Presidente da República entendeu que, em vez de ter uma solução estável num governo reforçado sob a liderança do doutor Mário Centeno, entendeu ir a eleições. O país não merecia ser chamado novamente a eleições, num contexto de tanta incerteza", reforça.

Questionado se está preparado para se manter no cargo durante os próximos meses até à tomada de posse de um novo Governo, António Costa disse que está ao serviço do país e que "não recusa as missões" que lhe são confiadas. "Competia ao Presidente da República optar e optou", reforçou.

Sobre se o partido se irá apresentar dividido na escolha de um sucessor, Costa não se mostrou preocupado, elogiando os quadros "muito bem preparados e com grandes capacidades executivas" que existem no partido e que "dão dez a zero" às alternativas encontradas na oposição.

Recorde-se que o primeiro-ministro, António Costa, pediu na terça-feira a demissão ao Presidente da República, que a aceitou, anunciando a dissolução da Assembleia da República e a marcação de eleições para o dia 10 de março. 

O Presidente da República elogiou "a elevação do gesto" do primeiro-ministro ao demitir-se, após ser alvo de inquérito, e afirmou esperar que o processo se esclareça "mais depressa do que devagar" com a afirmação da justiça.

António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lítio, o hidrogénio verde e o ‘data center’ de Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.

No dia da demissão, António Costa recusou a prática “de qualquer ato ilícito ou censurável” e manifestou total disponibilidade para colaborar com a justiça.

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