Conselheiros de Estado: metade "direita" votou a favor de eleições, metade "esquerda" queria manter Governo

9 nov, 21:37
Marcelo Rebelo de Sousa reúne Conselho de Estado (Tiago Petinga/Lusa)

Foi oito contra oito e no fim ganhou Marcelo, que decidiu o que já teria decidido antes – até porque o parecer do Conselho de Estado não era vinculativo

O Conselho de Estado dividiu-se em duas metades perfeitas: oito membros votaram a favor de eleições antecipadas, os outros oito votaram a favor de manter o Governo de maioria com um novo primeiro-ministro – cuja proposta do PS, confirmou-se depois, era de que o fosse Mário Centeno.

A divisão foi avançada pelo próprio Presidente da República, mas a CNN Portugal sabe que as duas metades coincidem com o posicionamento ideológico.

Os membros do Conselho de Estado de esquerda e centro-esquerda (grupo em que se inclui António Costa, Manuel Alegre, Carlos César e Augusto Santos Silva) posicionaram-se a favor de manter a maioria absoluta; já os membros de direita e centro-direita (grupo de que fazem parte membros como Francisco Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Miguel Cadilhe e Leonor Beleza) colocaram-se do lado das eleições antecipadas.

O parecer não era vinculativo, pelo que Marcelo Rebelo de Sousa tomou a decisão que já tinha antes escolhido, de marcar eleições. O empate evitou, ainda assim, que o Presidente da República decidisse contra a maioria dos seus conselheiros, embaraço que surgiria caso a votação tivesse pendido para a manutenção da maioria.

Segundo as fontes contactadas pela CNN Portugal, o Presidente da República fez uma longa intervenção no final da reunião, explicando a sua decisão. E revelou ter chegado a admitir no início manter o Governo com um novo primeiro-ministro, mas acabou por dar como incontornável a escolha de marcar eleições antecipadas.

O primeiro-ministro António Costa falou no início e no final da reunião.

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