Erro do Ministério Público: transcrição de escuta troca Costa com ministro da Economia 

12 nov, 09:38
António Costa (Lusa/ Tiago Petinga)

NOTÍCIA CNN PORTUGAL: Em causa, a escuta entre Afonso Salema e Lacerda Machado, em que o primeiro pede ao segundo que aborde o Governo para que seja suscitado junto da Comissão Europeia uma alteração em matéria de códigos de atividade económica para os data centers

O Ministério Público enganou-se na transcrição de uma escuta telefónica entre Lacerda Machado, consultor da Start Campus, e Afonso Salema, administrador da mesma empresa, apontando que o primeiro ia mover uma influência junto de "António Costa" (primeiro-ministro), quando na verdade Lacerda Machado se estava a referir a António Costa Silva, ministro da Economia - conforme se percebe na audição da escuta, apurou a CNN Portugal.

Segundo fontes ligadas à defesa dos arguidos, o lapso, ou seja, a omissão do último apelido de Costa Silva, ficou a constar no despacho de indiciação já tornado público -  gerando a percepção de que Lacerda Machado disse ao telefone que iria interceder diretamente junto do seu amigo António Costa em prol dos interesses da Start Campus na construção do data center em Sines.

Durante os interrogatórios judiciais dos arguidos detidos, entre eles Lacerda Machado, o Ministério Público acabou por reconhecer que a referida escuta está mal transcrita no despacho.

Em causa, a escuta de 31 de Agosto de 2022 entre Afonso Salema e Lacerda Machado, em que o primeiro pede ao segundo que aborde o Governo para que seja suscitado junto da Comissão Europeia uma alteração em matéria de códigos de atividade económica para os data centers. Lacerda Machado respondeu: "Tá bem. Eu vou decifrar se é Economia ou Finanças. Se for Finanças em falo logo com o Medina (ministro) ou com o António Mendes, que é o secretário de Estado. Se for Economia, arranjo maneira depois de chegar ao próprio António Costa".

Acontece que quem é referido nesta escuta é António Costa Silva, ministro da Economia, e não António Costa,  primeiro-ministro - o que causou uma interpretação errada face à truncagem na transcrição feita pelo Ministério Público que passou para o despacho de indiciação.

Este sábado, no final do interrogatório do seu cliente, no Campus de Justiça, em Lisboa, o advogado Magalhães e Silva dizia aos jornalistas que Diogo Lacerda Machado "em nenhum momento do processo" relativo ao 'data center' "invocou, direta ou indiretamente", o nome do primeiro-ministro, António Costa.

Instado a comentar as declarações de hoje do primeiro-ministro, António Costa, Magalhães e Silva começou por escusar-se a comentar, referindo não ter ouvido na íntegra.

"Não tenho nenhum comentário a fazer a isso, é aquilo que o primeiro-ministro entende das notícias que lhe foram chegando", começou por dizer.

"O doutor Lacerda Machado em nenhum momento de todo este processo relativo ao 'data center' invocou, direta ou indiretamente, o nome do primeiro-ministro", afirmou o advogado.

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