Só comer vegetais não reduz o risco de doença cardíaca, indica estudo

CNN Portugal , HCL
21 fev, 09:13
Frutas e legumes

Níveis mais altos de consumo de vegetais têm sido associados a um menor risco de doença cardiovascular, mas o efeito independente do consumo de vegetais crus e cozidos não é suficiente para diminuir a probabilidade de ocorrência de um ataque cardíaco ou de um AVC

Uma alimentação rica em vegetais é um dos sustentáculos de uma dieta equilibrada, mas um estudo em larga escala realizado no Reino Unido indica que é improvável que apenas comer muitos legumes reduza o risco de ataque cardíaco ou de um acidente vascular cerebral (AVC).

De acordo com os investigadores das universidades de Oxford e Bristol e da Universidade Chinesa de Hong Kong, a regularidade com que fazemos exercício e os nossos hábitos de vida podem ter mais impacto na prevenção de doenças cardiovasculares.

Os cientistas sublinham que uma dieta equilibrada ajuda sempre a reduzir o risco de muitas doenças, incluindo alguns tipos de cancro, e lembram que comer pelo menos cinco porções de frutas e vegetais todos os dias é uma das principais recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Cerca de 400 mil pessoas participaram no estudo publicado na revista Frontiers in Nature, em que responderam a um questionário sobra a sua dieta, nomeadamente a quantidade diária de vegetais cozidos e crus que ingeriam.

 

Legumes são ricos em fibras e nutrientes, especialmente se consumidos crus

Dieta acrescentou ou reduziu risco?

Em média, os interrogados disseram que comiam duas colheres de sopa cheias de vegetais crus, três de vegetais cozidos e cinco no total por dia. A partir das respostas adquiridas no estudo, os investigadores monitorizaram a saúde dos participantes durante 12 anos para tentarem perceber se a sua dieta acrescentou ou reduziu o risco de problemas cardíacos.

Ainda que o risco de morte por doença cardíaca tenha caído cerca de 15% no grupo de participantes que comeram mais vegetais – particularmente aqueles que os comeram crus e em grande quantidade– em comparação com aqueles que comeram menos, os investigadores disseram que essa realidade pode ser explicada por outros fatores.

Entre estes fatores, os investigadores destacam que o estilo de vida levado a cabo pelos participantes - por exemplo, se fumavam ou se consumiam grandes quantidades de álcool -, mas também os seus empregos e a renda que pagam, influenciaram os resultados.

Resultados do estudo não devem alterar recomendações sobre dieta equilibrada

Na sequência destas conclusões, o estudo não encontrou evidências de "um efeito protetor decorrente da ingestão de vegetais" na relação com a frequência com que problemas cardíacos ocorreram na população estudada.

"Este é um estudo importante, com implicações para a compreensão das causas alimentares das doenças cardiovasculares", afirmou Ben Lacey, um dos coordenadores da investigação e professor da Universidade de Oxford. 

Já Naveed Sattar, professor de medicina metabólica da Universidade de Glasgow, disse que há “boas evidências” de que comer alimentos ricos em fibras, como vegetais, “pode ajudar a diminuir o peso e melhorar os níveis de fatores de risco conhecidos por causar doenças cardíacas”. Sattar adiantou que as conclusões do estudo podem ser debatidas e não devem alterar a recomendação generalizada sobre a necessidade de comer pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia.

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