Aumento dos salários só se consegue dando condições às empresas, avisa Costa Silva

22 jul, 13:10

Floresta é apenas uma das agendas que o ministro da Economia quer levar a bom porto com os fundos comunitários. Foram 51 agendas analisadas. Mais de 10 vão receber fundos, em breve, para avançarem

Aumentar salários é o que todos querem, mas só é possível com crescimento económico. Para já, há um caminho a fazer.

O ministro da economia, António Costa Silva, não quer deixar recados ao primeiro-ministro, António Costa, mas parece. Durante a segunda CNN Portugal Summit, que decorreu esta sexta-feira no Salão Nobre da Alfândega do Porto, confrontado com o desejo de Costa de 20% de aumentos salariais até 2026, começou por dizer que "o senhor primeiro-ministro sabe bem o que faz e como se expressa". "E a ideia do senhor primeiro-ministro é clara: temos de ter empresas competitivas e salários competitivos."

Mas, lá vai acrescentando Costa Silva, "o salário mínimo é um indicador claro que pode reformatar a conjugação de fatores", e "temos de entender que as empresas também não podem começar a pagar salários se não tiverem maior produtividade". "Se não lhes forem dadas condições institucionais e macro - criadas pelas políticas públicas - para elas poderem expandir a sua atividade e fazerem o que sabem."

As agendas mobilizadoras podem ser então transformadoras para o país, disse o ministro da Economia. 

"Não há transformação, choques económicos e saltos, sem as grandes empresas, uma minoria do nosso país" e daí a importância das agendas e dos 51 projetos apresentados.

Para o governante, os problemas do país só são superados "se criarmos mais riqueza com desenvolvimento tecnológico e acabarmos com  o modelo de baixos salários".

Ajudará o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e controlo da dívida, como o Governo está a levar a cabo. E, por isso, Costa Silva volta a desvalorizar a inflação alta e a subida de juros. O crescimento de taxas é inevitável, mas, diz o ministro, Portugal, se continuar o caminho que está a trilhar, estará noutra situação, diferente da de 2009, para este impacto que aí vem de contração económica. 

Para já, os 10 projetos escolhidos têm em conta este caminho que se quer fazer. Uma desta agendas é a da Floresta. Uma transformação tecnológica que nos pode levar a ter uma "internet do território (35% é floresta)". Outra destas agendas é a transformação estrutural do setor agroindustrial - inovação de produtos e melhor tratamento de terrenos. 

No total, estão 51 agendas aprovadas: cerca de 7.600 mil milhões, combinados entre público e privado. 

As empresas que receberem o dinheiro terão logo 13% do valor à cabeça. "Para começarem a fazer a transformação e para mudarem o perfil da economia portuguesa", afirma o ministro.

É preciso que criem "produtos e alto valor acrescentado". "Temos de incorporar mais produto nacional e conhecimento nos nossos produtos."

As empresas apoiadas até hoje aumentaram a capacitação, mas "ainda não conseguimos criar um setor de alta tecnologia que seja altamente exportador", diz Costa Silva. E dá o exemplo do paradigma da mobilidade: são precisos 10 mil gigawatts de baterias - 50 vezes mais do que hoje - em 10 anos.

O ministro aponta ainda a importância da administração pública, que está a modernizar-se para a fiscalização destes fundos. Mas não esconde que a fraude o preocupa e não está descansado "porque a natureza humana tem imperfeições".

Já sobre o tempo da aplicação dos fundos, Portugal está a negociar com Bruxelas uma eventual extensão por causa da guerra. 

"A realidade mudou a 24 de fevereiro. Temos várias crises, e o preço das matérias-primas entra na construção, que está presente nas agendas mobilizadoras."

"Não vamos afrouxar, mas o mundo mundou e devemos ter exigência máxima, mas ser realistas. E há abertura para tal na Comissão."

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