Ativistas do Climáximo condenadas a pagar multa de 600 euros

20 out 2023, 16:39
Climáximo na rua de São Bento

As três jovens arguidas, com cerca de 20 anos, foram detidas pelas autoridades numa manifestação em 4 de outubro, quando empunharam durante 20 minutos uma faixa de alerta sobre a emergência climática, bloqueando o trânsito, num protesto não autorizado

As três ativistas que bloquearam a rua de São Bento, em Lisboa, no passado dia 4 foram absolvidas do crime de desobediência qualificada, mas foram condenadas a pena de prisão, reconvertida no pagamento de multa de 600 euros, cada uma, pelo crime de atentado à segurança de transporte rodoviário.

Para fazer face ao pagamento das coimas, o coletivo indica que vai organizar alguns eventos de beneficência, como concertos com artistas apoiantes da causa, com entrada por donativo livre.

As três jovens arguidas, com cerca de 20 anos, foram detidas pelas autoridades numa manifestação em 4 de outubro, quando empunharam durante 20 minutos uma faixa de alerta sobre a emergência climática, bloqueando o trânsito, num protesto não autorizado.

Em comunicado, as ativistas prometem continuar a "lutar pela sobrevivência". "Desobedecer, quando está a dar-se a maior crise da história da humanidade, quando milhares de pessoas morrem todos os anos devido à crise climática, e milhões de pessoas são deslocadas das suas casas e das suas vidas, não só não pode ser criminalizado como é um dever. Nós estamos cientes dos crimes horrendos que são cometidos há décadas, contra mim, contra ti, contra todas as pessoas. Sabendo isso, não nos peçam que aceitemos passivamente este destino, recusamo-nos a ser cúmplices. Sabendo o que todos sabem, há décadas, temos a obrigação de parar os culpados", disse Carolina Falcato, uma das arguidas apoiante do Climáximo.

Leonor Canadas, uma das porta-vozes do coletivo, afirmou que "esta democracia está doente, e o mundo virado do avesso. Somos punidos por denunciar crimes de genocídio, quando os verdadeiros criminosos continuam livres para matar". "A justiça portuguesa vira-se contra quem denuncia, em defesa dos poderes instituídos e dos criminosos, em vez de defender as pessoas. Evidência disso mesmo é a condenação de Mamadou Ba por difamação quando, tal como nós, apenas evidenciou a verdade que está à vista de todos. O Climáximo solidariza-se com Mamadou Ba, e manifesta todo o apoio", diz a ativista, citada no comunicado. 

 

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