"Este tipo de voos inúteis tem de ser a primeira coisa a ser travada na indústria genocida da aviação". Ativista do Climáximo cola-se a avião da TAP no aeroporto de Lisboa

Andreia Miranda , Notícia atualizada às 10:50
18 out 2023, 10:16

Climáximo tem realizado várias ações no último mês

Uma ativista do Climáximo colou-se, esta quarta-feira de manhã, a um avião da TAP que ia fazer o trajeto Lisboa-Porto. Em comunicado, a associação avança que o protesto decorreu no aeroporto da Portela e que impediu a normalidade das emissões "absurdas, mortíferas" e "completamente desnecessárias que estas ligações provocam quando existem alternativas mais baratas e rápidas". 

"É um ato de insanidade permitir que estes voos continuem, é estar a ver a nossa casa a arder e atirar gasolina para o fogo. Este tipo de voos inúteis tem de ser a primeira coisa a ser travada na indústria genocida da aviação, incentivada pelo nosso governo a continuar a sua expansão - agora com a construção de um novo aeroporto - quando sabemos que precisamos de cortar emissões urgentemente, e que cada dia que não o fazemos estamos a condenar à morte mais pessoas em Portugal", afirmou Alice Gato, a ativista que se colou ao avião da TAP.

A porta-voz do Climáximo acrescenta ainda que o Governo português "não só continua a atirar gasolina para a fogueira, como ainda atira areia para os nossos olhos".

"Em Portugal há hoje menos ferrovia que no século passado, encerraram-se mais de 100 estações quando nós precisamos de transportes públicos renováveis, gratuitos e de qualidade. Eles não têm qualquer plano para garantir a nossa sobrevivência. Se estamos entregues a governantes que conscientemente condenam milhares à morte, temos o dever de resistir", acrescenta.

O Climáximo tem realizado várias ações no último mês e garante que o protesto desta quarta-feira "faz parte do seu plano de desarmamento, que passa inicialmente por cortar drasticamente as emissões que estão a condenar milhares de pessoas à morte, enfatizando as emissões que considera mais desnecessárias e possíveis de cortar hoje, e o cancelamento do novo aeroporto que visa expandir a capacidade de matar, ao aumentar emissões".

O grupo acrescenta ainda que "o fim imediato destes voos necessita de ser seguido por uma redução drástica na indústria da aviação, acompanhada pela expansão da ferrovia e criação de um serviço público de transportes coletivos públicos, renováveis e gratuitos, garantindo a transição justa dos trabalhadores do setor da aviação para um setor de transportes seguro".

As ativistas que participaram na ação foram identificadas, sendo que segundo uma mensagem do grupo no Telegram, "duas estão retidas pela polícia, presumivelmente a aguardar detenção". Já o voo, que iria partir às 9:55 partiu às 10:34.

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