Defesa da ex-CEO da TAP quer usar escutas da operação Influencer no processo contra o Estado

18 jun, 10:12

Christine Ourmières-Widener pede uma indemnização de quase 6 milhões de euros ao Estado português

A defesa de Christine Ourmières-Widener pretende usar as escutas da Operação Influencer no processo que a colocou frente ao Estado e em que pede uma indemnização de quase seis milhões de euros, sabe a CNN Portugal.

Segundo a escuta telefónica a que a CNN Portugal teve acesso em primeira mão, a 5 de março do ano passado, Costa ligou às 18:12 para João Galamba, ministro das Infraestruturas que estava sob escuta na operação Influencer, e disse-lhe que "as pessoas precisam de sentir que o Governo não consente com merdas destas." "Se isto se torna num inferno é ela ou nós", disse Costa, referindo-se à CEO da TAP, informando Galamba que estava na altura de despedir Christine Ourmières-Widener para estancar a indignação junto da opinião pública.

Na chamada, Costa assume que é necessário fazer cair a gestora francesa por razões políticas, para contenção de danos de imagem do Governo. "Já falei com o Fernando [Medina, então ministro das Finanças] e politicamente nós não nos safamos mantendo a senhora, nem a senhora se safa politicamente", assume Costa a João Galamba - motivos que põem em causa a justificação formal que o Governo depois deu para o despedimento por justa causa da CEO da TAP, que aliás já colocou o Estado em tribunal contestando precisamente a alegada justa causa.

António Costa já leva uma solução na manga para o telefonema - e, enquanto manda o ministro despedir Christine Ourmières-Widener para que o dossier não lhes "rebente nas mãos", diz a Galamba que tem "um gajo muito bom" como solução para liderar a TAP: Luís Rodrigues, da SATA, que "é um factor de tranquilidade e descompressão".

As escutas em que intervém um primeiro-ministro em funções têm de ser validadas pelo Supremo Tribunal de Justiça - e aqui foi o caso. Agora, as motivações para o despedimento de Christine Ourmières-Widener podem ser usadas pela mesma na ação que moveu contra o Estado.

De resto, Luís Rodrigues acabou mesmo por ser o nome escolhido, encontrando-se atualmente à frente da companhia aérea. Já Christine Ourmières-Widener prossegue um diferendo contra o Estado, a quem exige uma indemnização milionária depois do despedimento.

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