Imagens mostram um manifestante pró-democracia de Hong Kong a ser espancado num consulado chinês no Reino Unido

CNN Portugal , MJC
17 out 2022, 17:32
Manifestande de Hong Kong arrastado para consulado chinês em Manchester (DR)

O manifestante estava à porta do consulado chinês e foi arrastado lá para dentro para ser espancado. Se se provar que os funcionários consulares estiveram envolvidos, o caso pode dar origem a um problema diplomático entre a China e o Reino Unido

Um manifestante pró-democracia de Hong Kong foi levado à força para propriedade do consulado chinês em Manchester, no Reino Unido, e espancado. 

O incidente aconteceu no domingo, durante uma manifestação pró-democracia à porta do consulado chinês em Manchester: os "continentais" (pessoas da China continental, por oposição a Hong Kong), saíram do consulado e começaram a destruir os cartazes, contou o manifestante, identificado como Bob, à BBC. "Enquanto estávamos a tentar detê-los, eles arrastaram-me lá para dentro e espancaram-me."

Um video partilhado nas redes sociais mostra o confronto na passeio, do lado de fora do consulado, com muitos gritos, enquanto as pessoas correm em direção à entrada do portão. O vídeo parece mostrar um manifestante a ser arrastado pelo portão para dentro da propriedade do consulado por um grupo de indivíduos não identificados, apesar da intervenção de alguns polícias britânicos:

Um outro vídeo mostra, alegadamente, o momento em que o manifestante foi espancado:

O homem só conseguiu sair após a intervenção da polícia britânica. "É ridículo. Eles [os agressores] não deveriam ter feito isso. Devíamos ter liberdade para dizer o que quisermos aqui [no Reino Unido]", queixou-se. O manifestante foi levado para o hospital, mas estava em estado estável.

Um comunicado da Polícia de Manchester confirma que “os oficiais estavam presentes e responderam imediatamente para resolver a situação”. E acrescenta: “As investigações estão em curso neste momento para entender todas as circunstâncias. Um plano de patrulhamento da polícia está em vigor na área após este incidente.”

O grupo pró-democracia intitulado Hong Kong Indigenous Defence Force afirma que o incidente envolveu funcionários consulares chineses. 

No entanto, na segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse “não estar a a par da situação”. “A Embaixada e os consulados da China no Reino Unido sempre cumpriram as leis dos países onde estão localizados”, afirmou numa conferência de imprensa. “Também esperamos que o lado britânico, de acordo com as disposições da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, facilite o normal funcionamento da embaixada e consulados chineses no Reino Unido.”

A CNN Internacional procurou obter um comentário da Embaixada da China em Londres, mas não recebeu qualquer resposta.

O governo do Reino Unido considerou o sucedido "extremamente preocupante". O Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que está urgentemente à procura de esclarecimentos sobre o incidente.  “O governo do Reino Unido deve exigir um pedido de desculpas completo do embaixador chinês no Reino Unido e exigir que os responsáveis ​​sejam enviados para a China”, escreveu o legislador do Partido Conservador Iain Duncan Smith no Twitter.

Também Alicia Kearns, deputada do Partido Conservador no parlamento, afirmou que as autoridades “precisam investigar com urgência” e que o embaixador chinês deve ser convocado. “Se algum funcionário espancou manifestantes, eles devem ser expulsos ou processados”, escreveu.

Por sua vez, Nathan Law, ex-legislador e ativista pró-democracia que fugiu para o Reino Unido em 2020, disse: “Se os funcionários do consulado responsáveis por isto não forem responsabilizados, os habitantes de Hong Kong viverão com medo de serem sequestrados e perseguidos”. E apelou ao governo britânico para “investigar e proteger a nossa comunidade no Reino Unido”.

 

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