Hong Kong perdeu mais de 113 mil habitantes no último ano

Agência Lusa , AM
12 ago, 06:11
Hong Kong, região autónoma da China (Vernon Yuen/NurPhoto, Getty Images)

Perda de habitantes deveu-se em parte às restrições fronteiriças impostas para combater a pandemia de covid-19

Hong Kong perdeu 113.200 habitantes nos últimos 12 meses, um recorde anual desde o primeiro censo, em 1961, segundo dados oficiais relativos ao segundo trimestre deste ano.

De acordo com as últimas estimativas, Hong Kong tem 7.291.600 habitantes, menos 1,6% do que no mesmo período do ano passado, de acordo com os números divulgados na quinta-feira.

A perda de habitantes deveu-se em parte às restrições fronteiriças impostas para combater a pandemia de covid-19, que "interromperam o afluxo de pessoas", reconheceu um porta-voz do Governo.

A população do território começou a diminuir em 2020 e o declínio não mostra sinais de parar, de acordo com os números oficiais.

Outrora um centro de transportes e logística asiático, Hong Kong ficou isolada do mundo durante mais de dois anos devido às políticas anti-pandémicas, de acordo com a estratégia de zero casos da China.

O declínio da população também faz parte de uma tendência mais ampla de saída de Hong Kong, com muitos a optarem por ir para o estrangeiro em resposta à repressão de Pequim contra a dissidência, após os protestos pró-democracia de 2019.

O Governo tem sistematicamente minimizado estas partidas, dizendo que muitos acabarão por regressar ou poderão ser substituídos por residentes do continente.

As autoridades culpam ainda a baixa taxa de natalidade da cidade, que combina uma população envelhecida com uma das mais baixas taxas de fertilidade da Ásia.

No ano passado, Hong Kong registou mais 26.500 mortes do que nascimentos.

A imigração da China continental era um dos principais motores demográficos em Hong Kong, mas os números recentes têm-se mantido baixos devido ao encerramento das fronteiras.

Na vizinha Macau, também uma região administrativa especial chinesa, continua a assistir-se à saída de trabalhadores não-residentes, numa cidade que também segue a política de zero casos de Pequim e cuja economia tem sido significativamente afetada pela pandemia de covid-19.

No final de junho, "a população total era composta por 677.300 pessoas, menos 4.400, em termos trimestrais, devido principalmente à diminuição do número de trabalhadores não residentes domiciliados em Macau", informou, também na quinta-feira, a Direção dos Serviços de Estatística e Censos.

Trata-se de uma tendência que se arrasta desde os primeiros casos detetados em Macau e a imposição de medidas de prevenção restritivas decretadas pelas autoridades.

Uma consulta aos dados oficiais revela que em junho de 2019, o último ano pré-pandémico, o número de trabalhadores não-residentes rondava os 190 mil. No final do segundo trimestre deste ano esse número caiu para pouco mais de 162 mil.

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