Portugal perdeu 2,1% da população em 10 anos

Agência Lusa , CF
23 nov, 13:27
Lisboa

Cerca de 20% da população do país concentra-se nos sete municípios mais populosos, que abrangem uma área de apenas 1,1% do território

Portugal perdeu 2,1% da população entre 2011 e 2021, invertendo a tendência de crescimento registada nas últimas décadas, indicam os resultados definitivos dos censos de 2021 divulgados esta quarta-feira.

“Residiam em Portugal, à data do momento censitário, dia 19 de abril de 2021, 10.343.066 pessoas (4.920.220 homens e 5.422.846 mulheres), o que representa um decréscimo de 2,1% face a 2011”, adiantou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o INE, essa redução constitui uma inversão na tendência de crescimento da população que se verificou nas últimas décadas e representa a “segunda quebra populacional registada desde 1864, ano em que se realizou o I Recenseamento Geral da População”.

Em termos de série censitária, Portugal apenas tinha registado uma redução do seu efetivo populacional nos censos de 1970, como resultado da elevada emigração verificada na década de 60, salientou o instituto.

Na última década, o Algarve (3,6%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%) registaram um crescimento populacional, enquanto nas restantes regiões decresceu o efetivo populacional, com o Alentejo (menos 7,0%) e a Região Autónoma da Madeira (menos 6,4%) a observarem as descidas mais significativas, indicou o INE.

Os censos de 2021 referem ainda que o “padrão de litoralização” do país e de concentração da população junto da capital foram reforçados na última década, com cerca de 20% da população do país a concentrar-se nos sete municípios mais populosos, que abrangem uma área de apenas 1,1% do território.

“No outro extremo, representando também cerca de 20% da população, temos os 208 municípios menos povoados e que ocupam 65,8% da área do país”, adiantou o INE.

Os dados definitivos agora divulgados adiantam que, entre 2011 e 2021, em todos os escalões etários até aos 39 anos, se assistiu a um decréscimo da população, com particular incidência no grupo dos 30 aos 39 anos.

Segundo os censos de 2021, a "relação de masculinidade" é de 91 homens por 100 mulheres, mas o número de homens é superior ao das mulheres nas idades até aos 30 anos, invertendo-se o rácio a partir dessa idade.

Nas idades mais avançadas, o número de mulheres é “claramente superior aos dos homens”, refletindo os maiores níveis de mortalidade da população masculina, indica também o INE.

Em 2021, a idade média da população portuguesa era de 45,4 anos, tendo aumentado em 3,1 anos face a 2011, com os valores mais altos a registarem-se no Centro (47,5 anos) e no Alentejo (47,4 anos), mantendo-se os Açores como a região com a idade média mais baixa (41,7 anos).

Nível de escolaridade cresce e taxa de analfabetismo declina

O nível de escolaridade da população em Portugal cresceu de forma significativa na última década, destacando-se o aumento de pessoas com ensino superior.

A percentagem da população residente com ensino superior era de 13,9% em 2011 e atingiu 19,8% entre as pessoas com 15 ou mais anos em 2021, representando um total de 1.782.888 indivíduos.

A estes dados junta-se ainda o peso crescente de pessoas com o ensino secundário e pós-secundário, que evoluiu de 16,7% para 24,7% na última década.

Ao nível das áreas de estudo no ensino superior, as mais frequentes foram “Ciências empresariais, administração e direito”, com 21,8%, e “Saúde e proteção social”, com 15,2%.

Em sentido inverso, a área “Agricultura, silvicultura, pescas e ciências veterinárias” representou somente 2% das pessoas com o ensino superior no ano passado.

Ao nível da educação, os Censos2021 apontam ainda uma redução da taxa de analfabetismo da população para 3,1%, correspondendo a 292.809 indivíduos com pelo menos 10 anos sem saber ler nem escrever, quando em 2011 este indicador apresentava uma taxa de 5,2% da população acima dos 10 anos.

A fase de recolha dos Censos 2021 decorreu entre 5 de abril e 31 de maio e os dados referem-se à data do momento censitário, dia 19 de abril de 2021.

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