Covid-19, alerta BA.5: o que é preciso saber - e atenção a 22 de maio

Agência Lusa , CV
11 mai, 15:24
Uso de máscaras em Portugal (AP/Armando Franca)

Trata-se de uma variante da Ómicron que está em crescimento galopante

A linhagem BA.5 da variante Ómicron já é responsável por 37% dos casos de infeção em Portugal, uma tendência de crescimento que deve chegar aos 80% a 22 de maio, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Projeta-se que a linhagem BA.5 possa atingir uma frequência relativa de cerca de 80% ao dia 22 de maio, assumindo uma tendência de crescimento relativo de 13% por dia e um tempo de duplicação de cerca de seis dias”, adianta o relatório sobre a diversidade genética do coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já admitiu que essa linhagem, que apresenta várias características genéticas consideradas de interesse pelos especialistas - caso de mutações com impacto na entrada do coronavírus nas células - pode ser mais transmissível do que a BA.2, mas ressalvou que ainda não existem dados que comprovem que provoca covid-19 mais grave.

De acordo com o INSA, a BA.5 duplicou a sua frequência entre as semanas de 11 e 17 de abril e 18 e 24 de abril, estimando que represente “37% dos casos positivos ao dia 8 de maio”.

O último relatório do grupo de trabalho do Instituto Superior Técnico sobre a evolução da pandemia, divulgado terça-feira pela Lusa, alerta que as novas linhagens da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, em conjugação com a eliminação da obrigatoriedade do uso generalizado de máscara, podem estar a contribuir para o aumento do número de casos.

De acordo com o documento, a incidência média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

Quanto à BA.2, que foi detetada pela primeira vez em Portugal no final de 2021 e que passou a ser a dominante na última semana de fevereiro deste ano, apresenta uma prevalência decrescente, representando agora 62,9% das amostras analisadas pelo INSA.

Foram também identificadas pela primeira vez no país sequências da BA.2.12.1, associada a dois casos detetados nas regiões Centro e Lisboa e Vale do Tejo, uma sublinhagem que “tem suscitado interesse internacional” e que tem apresentado um considerável aumento de circulação em alguns países, caso dos Estados Unidos da América, refere o relatório, que avança ainda que, até à data, não foi detetado qualquer caso BA.4 em Portugal.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 523 sequências por semana desde o início de junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 139 concelhos por semana.

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