Ilha de Qeshm foi o alvo escolhido
Os EUA lançaram ataques limitados contra a ilha de Qeshm, situada no Estreito de Ormuz, a sul da costa do Irão. Isto apenas algumas horas depois de o vice-presidente ter demonstrado uma postura otimista quanto aos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra, e com o país à beira de uma das eleições mais importantes em vários anos.
“Fizemos, sem dúvida, alguns progressos. Veremos se conseguimos avançar ainda mais”, afirmou JD Vance.
Estes ataques foram revelados em primeira mão pelo Wall Street Journal, e aconteceram a horas da abertura das urnas para as eleições intercalares dos Estados Unidos, que vão ajudar a definir o novo Congresso, marcando positiva ou negativamente o resto da presidência de Donald Trump.
“Trata-se de uma medida defensiva contra os iranianos que utilizaram mísseis terra-ar contra alvos norte-americanos”, afirmou uma autoridade norte-americana citada pelo The Guardian.
A Guarda Revolucionária iraniana alegou ter derrubado dois drones de reconhecimento norte-americanos sobre a ilha de Qeshm, embora não seja claro se o incidente está relacionado com os ataques levados a cabo esta madrugada.
A agência estatal iraniana Fars informou que foram ouvidas “várias explosões” na ilha de Qeshm nas primeiras horas da manhã desta terça-feira. As explosões foram também ouvidas pelos residentes da ilha vizinha de Hengam e da cidade portuária de Bandar Abbas, que fica a cerca de 22 quilómetros, ambas situadas perto ou no Estreito de Ormuz.
Esta ilha é fundamental para o Irão conseguir impor o controlo sobre o tráfego na via navegável essencial para o abastecimento energético global, pela qual passavam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia antes da guerra.
Horas antes da abertura das urnas nos EUA, numa entrevista à Fox News, Donald Trump continuou a minimizar a importância do conflito e as consequências que o mesmo tem na economia norte-americana, afirmando que "não há nenhuma guerra a decorrer.
"Pode acontecer se eles não chegarem a um acordo, mas eles querem muito chegar a um acordo e há uma grande probabilidade de o conseguirmos", acrescentou.
Trump sugeriu também a possibilidade de um ataque várias vezes desde o início da guerra, incluindo em julho, quando afirmou que os EUA iriam atacar a montanha de Kolang “provavelmente muito em breve”.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera as negociações com os EUA, lançou um novo aviso no que diz respeito ao ataque. “A nação iraniana não se renderá às ameaças e às ações militares do inimigo”, afirmou, acrescentando que a “resposta militar e estratégica a qualquer erro de cálculo do inimigo será imprevisível."
No início deste mês, Trump afirmou que os EUA não atacariam o Irão antes das eleições intercalares, mas não descartou nem confirmou se os ataques seriam retomados posteriormente, o que deixou as pessoas que vivem no Médio Oriente em estado de alerta.
No sábado, o Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou que um novo ataque de grande magnitude seria recebido com uma resposta “sem limitações geográficas”. Além disso, adiantou à CNN que o Irão tentaria atingir infraestruturas para além das instalações petrolíferas, incluindo a Inteligência Artificial.
Devido ao debate gerado pela temática do aumento dos preços dos combustíveis durante as eleições intercalares, Trump terminou a campanha a destacar a queda acentuada dos valores do petróleo, enquanto a sua administração realçava os esforços diplomáticos que estão a ser enviados para pôr fim à guerra.