Outubro foi o quarto mês consecutivo em que o número de baixas ultrapassa os 40 mil
Os dados não são favoráveis a Moscovo: as forças russas voltaram a perder território na Ucrânia em outubro, pelo segundo mês consecutivo, numa altura em que enfrentam também o maior número mensal de baixas desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
De acordo com uma análise do think tank norte-americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), as tropas de Moscovo conquistaram ou consolidaram posições em 139,85 quilómetros quadrados, mas perderam o controlo de 167,14 quilómetros quadrados, o que representa um saldo negativo de 27,29 quilómetros quadrados. Em média, a Rússia perdeu 880 metros quadrados por dia.
Os avanços russos ficaram limitados às regiões de Sumy e Zaporizhzhia, enquanto as forças de Moscovo recuaram nos restantes setores da frente, incluindo na região de Donetsk, que continua a ser um dos principais objetivos militares do Kremlin.
Se forem também contabilizadas as infiltrações russas em zonas onde as tropas ainda não conseguiram estabelecer controlo efetivo, o saldo territorial negativo aumenta para 76,38 quilómetros quadrados, o equivalente a uma perda média diária de 2,46 quilómetros quadrados.
Durante o mês em análise, as forças russas tomaram dez localidades, correspondentes a uma área total de 5,86 quilómetros quadrados. Em sentido contrário, as tropas ucranianas recuperaram ou eliminaram a presença russa em 11 localidades, numa extensão de 3,24 quilómetros quadrados.
Ainda assim, as más notícias para Moscovo não se ficam por aí. As perdas territoriais foram acompanhadas por um aumento significativo das baixas russas. Segundo o Estado-Maior ucraniano, Moscovo perdeu 54.400 militares - mortos ou gravemente feridos - em outubro. É o quarto mês consecutivo em que o número de baixas ultrapassa os 40 mil e o valor mensal mais elevado desde o início da invasão.
O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, o major Robert Magyar Brovdi, indicou que as perdas russas foram particularmente elevadas nas direções de Dobropillya, Oleksandrivka e Hulyaipole. O ISW assinala que a Rússia continua a perder um número significativo de militares, ao mesmo tempo que recua no terreno, e que o atual sistema de recrutamento não consegue atrair soldados em quantidade suficiente para compensar as baixas.
Este cenário poderá ajudar a explicar a nova estratégia atribuída ao presidente russo, Vladimir Putin, que passa por intensificar os ataques contra a Ucrânia antes do inverno, recorrendo a mísseis balísticos de longo alcance e a drones a jato, com o objetivo de levar o país à rendição.
A evolução das baixas e das perdas territoriais acompanha, segundo a análise do ISW, uma alteração no equilíbrio das operações militares. As forças russas terão perdido a iniciativa e capacidade ofensiva em grande parte da frente de combate.
Moscovo mantém a iniciativa na zona de Dobropillya, na região de Donetsk, onde concentrou a maior parte das suas operações ofensivas. Já as forças ucranianas assumiram a iniciativa nas direções de Kupyansk, Lyman e Oleksandrivka e disputam o controlo operacional no oeste da região de Zaporizhzhia.