Outubro negro para Moscovo: forças russas perdem terreno na Ucrânia pelo segundo mês consecutivo e registam número recorde de baixas

Há 1h e 4min
Militares russos que participaram na invasão militar da Ucrânia desfilam durante a parada do Dia da Vitória, a 9 de maio, em Moscovo. Getty Images
Militares russos que participaram na invasão militar da Ucrânia desfilam durante a parada do Dia da Vitória, a 9 de maio, em Moscovo. Getty Images

Outubro foi o quarto mês consecutivo em que o número de baixas ultrapassa os 40 mil

Os dados não são favoráveis a Moscovo: as forças russas voltaram a perder território na Ucrânia em outubro, pelo segundo mês consecutivo, numa altura em que enfrentam também o maior número mensal de baixas desde o início da invasão em larga escala, em 2022.

De acordo com uma análise do think tank norte-americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), as tropas de Moscovo conquistaram ou consolidaram posições em 139,85 quilómetros quadrados, mas perderam o controlo de 167,14 quilómetros quadrados, o que representa um saldo negativo de 27,29 quilómetros quadrados. Em média, a Rússia perdeu 880 metros quadrados por dia.

Os avanços russos ficaram limitados às regiões de Sumy e Zaporizhzhia, enquanto as forças de Moscovo recuaram nos restantes setores da frente, incluindo na região de Donetsk, que continua a ser um dos principais objetivos militares do Kremlin.

Se forem também contabilizadas as infiltrações russas em zonas onde as tropas ainda não conseguiram estabelecer controlo efetivo, o saldo territorial negativo aumenta para 76,38 quilómetros quadrados, o equivalente a uma perda média diária de 2,46 quilómetros quadrados.

Durante o mês em análise, as forças russas tomaram dez localidades, correspondentes a uma área total de 5,86 quilómetros quadrados. Em sentido contrário, as tropas ucranianas recuperaram ou eliminaram a presença russa em 11 localidades, numa extensão de 3,24 quilómetros quadrados.

Bombeiro apaga um incêndio num edifício destruído após um ataque com mísseis russos em Kiev, na Ucrânia, a 8 de setembro. Alex Babenko/AP

Ainda assim, as más notícias para Moscovo não se ficam por aí. As perdas territoriais foram acompanhadas por um aumento significativo das baixas russas. Segundo o Estado-Maior ucraniano, Moscovo perdeu 54.400 militares - mortos ou gravemente feridos - em outubro. É o quarto mês consecutivo em que o número de baixas ultrapassa os 40 mil e o valor mensal mais elevado desde o início da invasão.

O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, o major Robert Magyar Brovdi, indicou que as perdas russas foram particularmente elevadas nas direções de Dobropillya, Oleksandrivka e Hulyaipole. O ISW assinala que a Rússia continua a perder um número significativo de militares, ao mesmo tempo que recua no terreno, e que o atual sistema de recrutamento não consegue atrair soldados em quantidade suficiente para compensar as baixas.

Este cenário poderá ajudar a explicar a nova estratégia atribuída ao presidente russo, Vladimir Putin, que passa por intensificar os ataques contra a Ucrânia antes do inverno, recorrendo a mísseis balísticos de longo alcance e a drones a jato, com o objetivo de levar o país à rendição.

A evolução das baixas e das perdas territoriais acompanha, segundo a análise do ISW, uma alteração no equilíbrio das operações militares. As forças russas terão perdido a iniciativa e capacidade ofensiva em grande parte da frente de combate.

Moscovo mantém a iniciativa na zona de Dobropillya, na região de Donetsk, onde concentrou a maior parte das suas operações ofensivas. Já as forças ucranianas assumiram a iniciativa nas direções de Kupyansk, Lyman e Oleksandrivka e disputam o controlo operacional no oeste da região de Zaporizhzhia.

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