O Azerbaijão pode invadir a Arménia nas próximas semanas: o alerta de Blinken aos congressistas americanos

16 out, 13:00
Antony Blinken (AP)

Regime de Baku tem a ambição declarada de conquistar a região de Zangezur - Syunik para os arménios

O secretário de Estado dos EUA Antony Blinken informou congressistas do país de que o Azerbaijão pode invadir a Arménia nas próximas semanas, avança o jornal Politico.

De acordo com fontes da administração americana citadas pela publicação, Blinken reuniu-se com um pequeno grupo de senadores e representantes no dia 3 de outubro, a propósito da operação lançada em setembro pelo Azerbaijão para conquistar a região do Nagorno-Karabakh à autoproclamada República de Artsakh.

Nesta reunião, os congressistas pediram à administração para tomar medidas contra o governo azeri de Ilham Aliyev.

Em resposta, Blinken sugeriu não renovar a ajuda militar ao Azerbaijão. Todos os anos, desde 2002, os EUA aprovaram uma isenção ao Freedom Support Act, que em teoria proíbe Washington D.C. de fornecer armamento a Baku devido às disputas territoriais com os arménios do Nagorno-Karabakh.

Mas porque é que o Azerbaijão quererá invadir a Arménia? A resposta é o corredor de Zangezur, uma ambição antiga do Azerbaijão para ligar o seu território principal ao exclave de Naquichevão. Este exclave está separado do resto do país pela região de Zangezur – Syunik para os arménios -, que faz parte do território internacionalmente reconhecido com parte da Arménia.

“O Naquichevão é a terra ancestral do Azerbaijão. Lamentavelmente, em 1920, o Zangezur Ocidental foi retirado ao Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, pelo que a ligação geográfica entre o resto do Azerbaijão e o Naquichevão foi cortada”, disse o presidente azeri Ilham Aliyev no dia 25 de setembro no exclave, ao lado do homólogo turco Recep Tayyip Erdogan, que visitou o território para declarar apoio ao executivo de Baku.

A 28 de setembro, Tiago André Lopes, especialista em Relações Internacionais, afirmou à CNN Portugal que uma invasão do Azerbaijão à região de Syunik “é uma hipótese que não pode ser excluída”.

“Se o Azerbaijão sentir que o Irão e a Turquia estão dispostos a apoiar financeira e militarmente uma incursão militar na região, e ao mesmo tempo sentir que a Rússia não vai interferir de forma alguma, eu não excluiria essa opção”, disse o professor universitário, que ressalvou, no entanto, que o regime de Baku vai primeiro “azerbaijanizar” o Nagorno-Karabakh antes de iniciar uma nova operação.

As palavras de Aliyev sobre o Naquichevão surgiram cerca de uma semana após o Azerbaijão ter iniciado, no dia 19 de setembro, uma invasão ao território do Nagorno-Karabakh, onde residiam perto de 120 mil arménios.

A fuga destes habitantes, desencadeada pelo medo da repressão azeri, terminou com a presença milenar de arménios no Nagorno-Karabakh, região que habitavam continuamente desde, pelo menos, o século II a.C.

A operação azeri de tomada do Nagorno-Karabakh foi lançada após um bloqueio de dez meses imposto aos arménios da região. Em dezembro de 2022, alegados ativistas ambientais azeris, às ordens de Baku, bloquearam o corredor de Lachin, protestando contra a exploração ilegal de minérios na região, numa flagrante violação do acordo de cessar-fogo assinado em 2020 no final da Segunda Guerra do Nagorno-Karabakh.

Durante alguns meses, a ajuda humanitária ainda foi entrando em Artsakh, mas, em abril deste ano, os azeris bloquearam totalmente a estrada, sem que as forças russas de manutenção de paz presentes na região o tivessem impedido.

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