Merkel tentou evitar guerra na Ucrânia e nega responsabilidades: "Não me culpo por não tentar"

7 jun, 21:27
Angela Merkel, chanceler alemã

Na primeira entrevista desde que deixou o cargo de chanceler da Alemanha, a antiga governante falou sobre a sua decisão de bloquear a adesão de Kiev à NATO, em 2008 - e que foi recentemente alvo de duras críticas por Volodymyr Zelensky -, dizendo que se não fosse esse veto "Putin faria algo que não seria bom para a Ucrânia".

Angela Merkel afirmou esta terça-feira que tentou evitar a situação que está a acontecer agora na Ucrânia enquanto assumiu a liderança da Alemanha, mas admitiu que não se culpa por este desfecho.

Naquela que foi a sua primeira entrevista desde que deixou o cargo de chanceler da Alemanha, Merkel abordou a invasão russa da Ucrânia e o fracasso dos Acordos de Minsk, rejeitando quaisquer responsabilidades pela guerra.

"É uma grande tristeza que não tenha dado certo, mas não me culpo por não tentar", disse Merkel, referindo-se ao acordo negociado com a Rússia em 2014 e que estabelecia um cessar-fogo entre o exército ucraniano e os separatistas russos.

Questionada sobre a sua decisão de bloquear a adesão da Ucrânia à NATO, em 2008 - e que, aliás, foi recentemente alvo de duras críticas por Volodymyr Zelensky -, Merkel disse que se não fosse esse veto "Putin faria algo que não seria bom para a Ucrânia".

"Se começarmos a ir atrás nos séculos e a ver que pedaço de território pertence a quem, só teremos guerra - isso não é de todo possível", disse.

A antiga chanceler alemã frisou ainda que não há nada que justifique o "desrespeito brutal pela lei internacional" por parte da Rússia, que invadiu a Ucrânia no passado dia 24 de fevereiro.

Ucrânia critica declarações de Merkel

Mykhailo Podolyak, conselheiro da presidência da República ucraniana, respondeu às declarações da antiga chanceler alemã Angela Merkel.

"Se a chanceler Merkel sempre soube que a Rússia estava a planear uma guerra e que o objetivo de Putin é destruir a União Europeia, então porquê construir o Nord Stream 2?", escreveu Polodyak numa publicação no Twitter, referindo-se ao gasoduto destinado a encaminhar o gás russo para a Europa via Alemanha.

O responsável acusou também Merkel de promover a dependência europeia do gás e do petróleo russos.

No dia 3 de março, poucas semanas após o início da guerra, Volodymyr Zelensky criticou a "recusa oculta" da NATO em 2008 de aceitar a Ucrânia por causa do "medo absurdo de certos líderes políticos em relação" a Moscovo, que "achavam que rejeitando a Ucrânia poderiam apaziguar a Rússia".

Angela Merkel não demorou a reagir, pronunciando-se através de um comunicado emitido por uma porta-voz, no qual se lê que a antiga chanceler alemã “mantém as suas decisões em relação à cimeira da NATO de 2008 em Bucareste“.

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