Os primeiros sinais de Alzheimer podem aparecer nos seus olhos

CNN , Sandee LaMotte
1 abr, 17:00
Alzheimer

Os olhos são mais do que uma janela para a alma - são também um reflexo da saúde cognitiva de uma pessoa.

"O olho é a janela para o cérebro", disse a oftalmologista Christine Greer, diretora de Educação Médica do Institute for Neurodegenerative Diseases em Boca Raton, Florida, Estados Unidos. "Pode-se ver diretamente o sistema nervoso olhando para a parte de trás do olho, em direção ao nervo óptico e à retina."

A investigação tem vindo a explorar como o olho pode ajudar no diagnóstico da doença de Alzheimer antes do início dos sintomas. A doença está já avançada quando a memória e o comportamento são afetados.

"A doença de Alzheimer começa no cérebro décadas antes dos primeiros sintomas de perda de memória", disse Richard Isaacson, neurologista do Institute for Neurodegenerative Diseases.

Se os médicos forem capazes de identificar a doença nos seus estágios iniciais, as pessoas poderão escolher um estilo de vida saudável e controlar "fatores de risco modificáveis, como tensão arterial elevada, colesterol alto e diabetes", defendeu Isaacson,

O olho sabe

Quão cedo podemos ver sinais de declínio cognitivo? Para descobrir, um estudo recente examinou tecidos doados da retina e do cérebro de 86 pessoas com diferentes graus de declínio mental.

"O nosso estudo é o primeiro a fornecer análises aprofundadas dos perfis de proteínas e dos efeitos moleculares, celulares e estruturais da doença de Alzheimer na retina humana e como eles correspondem a alterações no cérebro e na função cognitiva", disse o autor Maya Koronyo-Hamaoui, professor de Neurocirurgia e Ciências Biomédicas no Cedars-Sinai em Los Angeles, em comunicado.

"Estas mudanças na retina estão correlacionadas com mudanças em partes do cérebro chamadas córtex entorrinal e temporal, uma plataforma de memória, navegação e perceção do tempo", sublinhou Koronyo-Hamaoui.

Os investigadores do estudo recolheram amostras de tecido da retina e do cérebro durante 14 anos de 86 dadores humanos com doença de Alzheimer e uma ligeira deficiência cognitiva - o maior grupo de amostras de retina alguma vez estudado, de acordo com os autores.

Compararam então amostras de dadores com função cognitiva normal com os que apresentavam uma deficiência cognitiva ligeira e com os que tinham doença de Alzheimer em fase avançada.

O estudo, publicado em fevereiro na revista Acta Neuropathologica, encontrou aumentos significativos de beta-amilóide, um marcador-chave da doença de Alzheimer, em pessoas com Alzheimer e declínio cognitivo precoce.

As células microgliais diminuíram 80% naqueles com problemas cognitivos, segundo o estudo. Estas células são responsáveis pela reparação e manutenção de outras células, incluindo a eliminação de beta-amilóide do cérebro e da retina.

"Foram (também) encontrados marcadores de inflamação, que podem ser um marcador igualmente importante para a progressão da doença", sublinhou Isaacson, que não esteve envolvido no estudo.

"Os resultados foram também visíveis em pessoas sem sintomas cognitivos ou com sintomas cognitivos mínimos, o que sugere que estes novos testes oftalmológicos podem estar bem posicionados para ajudar no diagnóstico precoce."

Os investigadores do estudo encontraram um número maior de células imunológicas envolvendo as placas beta-amilóides, bem como outras células responsáveis pela inflamação e morte de células e tecidos.

A atrofia do tecido e a inflamação nas células da periferia distante da retina foram as mais preditivas do estado cognitivo, segundo o estudo.

"Estas descobertas podem eventualmente levar ao desenvolvimento de técnicas de imagem que nos permitam diagnosticar a doença de Alzheimer mais cedo e com maior precisão", antecipou Isaacson, "e monitorizar a sua progressão de forma não invasiva, através do olho".

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