EUA aprovam medicamento que promete combater a doença de Alzheimer

CNN Portugal , BCE
6 jan, 23:34
Alzheimer

Os resultados dos estudos realizados até agora mostram um "potencial" do medicamento para tratar o Alzheimer, desde logo no retardar da progressão da doença

A Food and Drug Administration (FDA) aprovou esta sexta-feira um dos primeiros medicamentos que parecem retardar a progressão do declínio cognitivo associado à doença de Alzheimer, o Lecanemab. Os médicos acreditam que esta terapia pode vir a ser essencial para o combate à doença.

“Esta opção de tratamento é a terapia mais recente para atingir e afetar o processo subjacente da doença de Alzheimer, em vez de tratar apenas os sintomas da doença”, explica à CNN Internacional o médico Billy Dunn, diretor do Departamento de Neurociência no Centro de Avaliação e Investigação de Medicamentos da FDA.

Os resultados dos estudos realizados até agora mostram um "potencial" do medicamento para tratar o Alzheimer, desde logo no retardar da progressão da doença. No entanto, alguns efeitos adversos preocupam os investigadores, nomeadamente o inchaço cerebral e sangramento.

Em julho do ano passado, a FDA aceitou o Pedido de Licença Biológica da farmacêutica Eisai para efetuar uma aprovação acelerada do Lecanemab e aceitou a revisão prioritária do medicamento. Este pedido permite a aprovação antecipada de medicamentos que tratam doenças graves e "preenchem uma necessidade médica não atendida", ao mesmo tempo que os medicamentos continuam a ser estudados em ensaios mais representativos.

Se os ensaios confirmarem que o medicamento oferece realmente um benefício do ponto de vista clínica, a FDA poderá conceder a aprovação tradicional. Caso contrário, a FDA pode anunciar uma retirada do medicamento do mercado.

O que se sabe sobre o Lecanemabe?

Trata-se de um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amilóide e que, de acordo com os resultados de um ensaio clínico da Fase 3 de 18 meses publicado no The New England Journal of Medicine, "reduziu assim os marcadores de amiloide no início da doença de Alzheimer e resultou num declínio moderadamente menor nos valores de cognição e função do que o placebo".

Os resultados também mostraram que cerca de 6,9% dos participantes do estudo que receberam Lecanemab abandonaram o estudo na sequência de efeitos adversos, em comparação com 2,9% daqueles que receberam placebo. No geral, foram registados efeitos adversos graves em 14% do grupo Lecanemab e 11,3% do grupo placebo.

Além disso, cerca de 0,7% dos participantes do grupo Lecanemab e 0,8% dos participantes do grupo placebo morreram, o que corresponde a seis mortes no grupo Lecanemab e sete no grupo placebo.

O médico Richard Isaacson, diretor da Clínica de Prevenção de Alzheimer no Centro de Saúde do Cérebro da Schmidt College of Medicine da Florida Atlantic University, adianta à CNN Internacional que a aprovação acelerada do Lecanemab já era esperada, podendo agora vir a ser "mais uma ferramenta" na sua caixa de ferramentas para combater a doença de Alzheimer.

“Vou prescrever este medicamento para a pessoa certa, na dose certa e com muito cuidado, mas este medicamento não é para todos”, adverte. Isto porque os efeitos adversos não são de desvalorizar, aponta o médico:

"Se alguém está a ter efeitos colaterais, se alguém está a tomar um medicamento para liquidificar o sangue, se alguém tem um problema, eles precisam de discutir isso com o médico assistente e precisam de procurar atendimento médico imediatamente", alerta.

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