Dorme menos com o calor? As alterações climáticas poderão tirar-nos até 58 horas de sono por ano

20 mai, 20:37
Dificuldade em dormir (Pexels)

Cientistas dinamarqueses e alemães comprovam aquilo que milhares de pessoas já sentem em todo o mundo: o calor tira o sono. E a situação irá agravar-se com a escalada das alterações climáticas que já se fazem sentir.

Até ao final do século iremos dormir até 58 horas a menos por ano devido ao calor. As pessoas dos países com menos capacidades financeiras e/ou com climas mais quentes, idosos e mulheres estão entre os mais vulneráveis. Mas o efeito é transversal a todos.

A conclusão é de um recente estudo que analisou o impacto das alterações climáticas - que têm feito subir a temperatura global do planeta - na qualidade do sono. Diz a investigação, publicada na revista One Earth, que a subida de temperatura afeta a termorregulação da temperatura corporal e que isso tem impacto não só nas horas de sono com qualidade, mas também na saúde, embora não seja ainda possível medir com exatidão os danos em causa.

Para o estudo, foram analisados os sete milhões de registos de pulseiras digitais que mediram as horas de sono de 47 mil participantes de 68 países e uma das primeiras conclusões a que chegaram é que o calor interfere, logo à partida, com a capacidade de adormecer, roubando tempo de descanso.

“Os nossos dados indicam que, em noites muito quentes (acima dos 30°C), o sono diminui em 14,08 minutos [em média]”, explicam os autores do estudo. “Temperaturas mínimas noturnas superiores a 25°C aumentam a probabilidade de dormir menos de sete horas por noite em 3,5 pontos percentuais em comparação com a linha de base da temperatura de 5°C a 10°C”, temperaturas que consideram ideais para a qualidade do sono. 

No total, em 2099, temperaturas altas podem comprometer “50 a 58 horas de sono por pessoa por ano, com as mudanças climáticas a produzir desigualdades geográficas que aumentarão com as emissões futuras”.

Apesar de defenderem que têm dados “robustos” sobre o efeito do calor no sono, os autores do estudo, que foi realizado em conjunto por universidades dinamarquesas e alemãs, admitem que a pesquisa feita pode ser um tanto ou quanto limitada, uma vez que as pessoas, se tiverem condições para tal, adaptam a temperatura ambiente do espaço para estarem mais confortáveis na hora de dormir.

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