Açores elevam nível de alerta no vulcão de Santa Bárbara, na Terceira

Agência Lusa , AM - notícia atualizada às 13:10
27 jun, 11:23
Vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira. Foto Azores.gov

Também o alerta do sistema vulcânico da Terceira foi elevado

O nível de alerta relativo ao vulcão de Santa Bárbara, na Terceira, subiu para V3 e o do sistema vulcânico fissural da ilha para V1, devido à atividade sísmica, segundo o centro de vigilância sismovulcânica dos Açores.

"Considerando que desde março de 2024 a atividade sísmica no setor oeste da ilha Terceira se encontra francamente acima dos níveis normais e tem sido acompanhada por alguns sinais de deformação crustal [nos corpos rochosos], factos que indiciam a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade, o gabinete de crise decidiu elevar o nível de alerta do vulcão de Santa Bárbara para V3 e do Sistema Vulcânico Fissural da Terceira para V1", lê-se na página na internet do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).

Nos níveis de alerta vulcânico, V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”, de acordo com a informação disponível na página do CIVISA.

O vulcão de Santa Bárbara estava no nível V2, que significa uma possível reativação do sistema, passando agora para o nível seguinte (confirmação de reativação do sistema).

Segundo o Instituto de Vulcanologia da Universidade dos Açores (IVAR), a informação obtida através da rede de monitorização gerida pelo CIVISA permite aferir que a crise sismovulcânica que se regista na ilha Terceira desde 24 de junho de 2022 "se mantém, evidenciando sinais de claro incremento".

No âmbito desta crise, a atividade sísmica tem estado centrada "com maior incidência dentro do perímetro do vulcão de Santa Bárbara e tem sido caracterizada essencialmente pela ocorrência de microssismos".

O sismo mais energético ocorreu em 14 de janeiro de 2024, às 07:19 horas locais, com a magnitude de 4,5 na escala de Richter e epicentro a cerca de um quilómetro a este da Serreta, e foi sentido com intensidade máxima de VI na escala de Mercalli Modificada, no setor oeste da ilha.

Na ocasião, e segundo o CIVISA, "foram registadas algumas fendas em habitações com pouca resistência à ação sísmica, queda de muros de pedra solta, danos em algumas vias de comunicação e derrocadas no interior da ilha e em arribas".

Governo açoriano pede calma e garante meios

O Governo dos Açores apelou à calma e garantiu que as entidades estão preparadas para reagir caso a crise sismovulcânica se agrave.

“Importa neste momento encontrar tranquilidade e a normalidade possível num contexto de crise sismovulcânica, tendo a certeza de que estamos mais preparados do que no passado. Nunca o vulcão de Santa Bárbara esteve tão vigiado”, declarou o secretário do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, que tutela a Proteção Civil.

O secretário regional, que falava aos jornalistas à margem da visita estatutária do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) à ilha do Corvo, justificou a subida do nível de alerta com a confirmação da existência de deformação crustal e de “indicadores geofísicos e geodinâmicos bastante acima do normal”.

“Esta nova circunstância não altera em nada os procedimentos em curso, nem induz neste momento procedimentos especiais”, afirmou Alonso Miguel.

Questionado sobre as implicações de o maior hospital da região estar inoperacional caso se verifique um agravamento da crise sismovulcânica, o governante garantiu que “todos os meios à disposição da Proteção Civil serão ativados caso haja justificação”.

“Estaremos preparados para dar melhor resposta possível”, prometeu.

Alonso Miguel reiterou, contudo, o apelo à calma, lembrando que “este tipo fenómeno pode durar meses ou anos”.

“Em São Jorge tivemos um ano e meio em alerta V3. Portanto, não vale a pena criarmos alarme social. Importa, sim, estar vigilante e fazer monitorização e intensificar a articulação entre todas as entidades”, defendeu.

Segundo o Instituto de Vulcanologia da Universidade dos Açores (IVAR), a informação obtida através da rede de monitorização gerida pelo CIVISA permite aferir que a crise sismovulcânica registada na ilha Terceira desde 24 de junho de 2022 "se mantém, evidenciando sinais de claro incremento".

No âmbito desta crise, a atividade sísmica tem estado centrada "com maior incidência dentro do perímetro do vulcão de Santa Bárbara e tem sido caracterizada essencialmente pela ocorrência de microssismos".

De acordo com a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), fortes (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).

A escala de Mercalli Modificada mede os graus de intensidade dos sismos.

Com uma intensidade III, considerada fraca, o abalo é sentido dentro de casa e os objetos pendentes baloiçam, percecionando-se uma "vibração semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados", de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Por outro lado, o CIVISA explica que a sismicidade registada tem abrangido igualmente, embora com menor frequência, o Sistema Vulcânico Fissural da Terceira, especialmente num troço que atravessa a serra de Santa Bárbara e que se estende até às proximidades do Clube de Golfe, a leste.

O organismo refere ainda que se tem gerado atividade mais a sul, para leste da área de influência do vulcão de Santa Bárbara, numa zona entre as Cinco Ribeiras e Angra do Heroísmo, "e no mar, a oeste e a sul da ilha".

"O fenómeno que está a afetar a ilha Terceira não se pode dissociar do incremento da atividade sismovulcânica que se tem verificado na região dos Açores e, em particular, no grupo Central, desde o início de 2022", explica.

O CIVISA admite a possibilidade de continuarem a ocorrer eventos sentidos pela população, que poderão atingir magnitudes e intensidades superiores às registadas até à data, tendo em conta "o padrão de atividade observado".

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