O 25 de Abril foi apenas há 50 anos, mas em 50 anos Portugal muito mudou. Que o digam os números

24 abr, 22:00
25 de Abril (AP)

Dos salários à educação, sem esquecer a população, há vários números que marcam os 50 anos do 25 de Abril

Há 50 anos a esmagadora maioria dos casamentos eram católicos. O número de imigrantes em Portugal tinha pouca expressão e uma redutora parte da população completava o ensino superior. Hoje as mulheres são mães mais tarde. Há mais casas, mas também menos linhas de comboio ativas.

Os dados utilizados neste artigo são da Pordata.

Casamentos caem para metade. Primeiro filho só sete anos mais tarde

Se em 1974 se celebraram mais de 81 mil casamentos, em 2022 o número reduziu para metade. Foram apenas 36.952 os matrimónios que se celebraram nesse ano, o último com dados disponíveis.

 

O número de casamentos católicos também caiu significativamente. Antes da Revolução dos Cravos, 81% dos casamentos registados foram celebrados pela Igreja, ao contrário dos restantes 19%, que foram não-católicos. A tendência inverteu-se em 2022, ano em que apenas 27% dos matrimónios foram católicos. Os restantes 73% foram não-católicos.

A idade com que se casa também passou por mudanças significativas. Em média, os homens casavam aos 26 anos antes de 1974, agora casam aos 35. Já as mulheres, que agora o fazem aos 34, casavam dez anos antes em 1974, aos 24. 

O casamento foi-se tornando cada vez mais tardio, tal como o nascimento do primeiro filho, com as mulheres a serem mães sete anos mais tarde. 31 anos foi a média para ter o primeiro filho em 2022, quando o eram aos 24 antes do 25 de Abril. A média de filhos também desceu: de 2,75 para 1,43. 

Os hospitais tornaram-se o local predominante para os partos, registando 97% dos que aconteceram em 2022. Em 1975, apenas 61% dos nascimentos tinham lugar em locais de saúde.

Há 24 vezes mais estrangeiros

O número de estrangeiros a viver em Portugal com estatuto legal aumentou 24 vezes nos últimos 50 anos. Se em 1974 correspondiam a 0,4% da população, em 2022 já tinham alcançado os 7,5%.

Eram mais de 780 mil os estrangeiros no país em 2022. A maioria vinha do continente americano (268.758), com especial incidência do Brasil. Com pouca diferença, seguia-se a Europa, maioritariamente do Reino Unido; África, em especial de Cabo Verde; e só depois a Ásia, sobretudo da Índia.

Antes do 25 de Abril, os imigrantes a viver com estatuto legal em Portugal eram cerca de 32 mil. A maior fatia era proveniente da Europa.

 

O número de casas duplicou

O número de casas duplicou nos últimos 50 anos. Em 1970, existiam mais de dois milhões e setecentas casas, enquanto em 2021 o valor era de quase seis milhões.

A par do número de casas, subiu também o tamanho das mesmas: de 29 quilómetros quadrados no período da Revolução passou para 65, número de referência de 2021.

Ao mesmo tempo, as habitações de residência habitual desceram dos 83% para os 69%. Já as de segunda habitação subiram de 3% para 19%, enquanto as casas vagas desceram, mas pouco - de 14% para 12%.

O salário mínimo tem mais poder de compra

O salário mínimo permite hoje mais poder de compra do que tinha antes do 25 de Abril. Em 1974, o salário mínimo era de 3.300 escudos, cerca de 16 euros. Hoje, com a inflação, esses 16 euros corresponderiam a 629 euros.

No início deste ano, o salário mínimo subiu para os 820 euros. Comparado com os 629 euros de 1974, a diferença estaria nos 191 euros.

Os trabalhadores transitaram para os serviços

Em 1974, 60% dos trabalhadores eram homens e apenas 40% eram mulheres. Atualmente, o panorama mudou, encontrando um maior equilíbrio: há 50% de trabalhadores do sexo masculino e 50% do feminino.

Para além disso, os trabalhadores transitaram para os serviços. Antes do 25 de Abril, era visível uma distribuição proporcional entre o setor primário (35%), secundário (34%) e terciário (31%).

Em 2023, o cenário português já era bem diferente. A maioria dos trabalhadores (72%) estava empregada no setor terciário, que passa, entre outros, pelos serviços, pela saúde e pela educação. O setor secundário - o da indústria - detinha 25% da população trabalhadora. Já o terciário foi o que registou a maior descida: de 35% caiu para 3% dos trabalhadores.

 

Mais autoestradas, mas menos linhas de comboio ativas

O país foi interligado por autoestradas, cujo comprimento se limitava a apenas 66 quilómetros divididos entre Lisboa e o Porto, em 1974. O número já tinha subido para os 3.115 quilómetros em 2022 e as autoestradas já se espalhavam por todo o país.

Com o desenvolvimento das estradas, triplicou o consumo de combustíveis rodoviários. Em 1977, consumiram-se 1.916 milhares de toneladas, enquanto em 2022 o valor estava perto de triplicar, com 5.285 milhares de toneladas. O gasóleo foi o combustível que registou a maior ascensão de consumo - de 1.173 em 1977 para 4.281 em 2022.

Mas, se o número de autoestradas e do uso dos automóveis registou um aumento significativo, o mesmo não se pode dizer dos comboios, que viram cerca de 30% das linhas serem desativadas nos últimos 50 anos. Em 1974, mais de 3.500 quilómetros de linha estavam em exploração, em 2022 eram pouco mais de 2.500.

Por outro lado, o movimento nos aeroportos portugueses subiu em flecha. No ano da Revolução dos Cravos, Portugal registou 36.210 aterragens e 4,6 milhões de passageiros. Em 2022, o número de aterragens aumentou para os 217.629, com 56,8 milhões de passageiros.

Menos escolas primárias, mas cinco vezes mais alunos no ensino superior

Há menos escolas primárias em Portugal desde 1974, mas as que existem têm mais alunos. Eram mais de 16 mil os estabelecimentos do primeiro ciclo em 1974, sendo que cada um tinha em média 57 alunos. Em 2022, o número de escolas pouco ultrapassava os quatro mil, com 93 alunos em cada uma, em média.

Ainda assim, a escolarização tornou-se universal. Em 2022, 100% das crianças tinham completado o primeiro ciclo - em 1974 já registava um número elevado, com 85%.

O ensino secundário também teve uma grande subida, sendo que antes do 25 de Abril apenas 5% da população o completava. Chegou aos 88% em 2022.

Ao mesmo tempo, há cinco vezes mais alunos no ensino superior. Eram apenas 81.582 em 1978, enquanto em 2023 o valor já estava nos 446.028. A maioria frequentou o ensino público.

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