Lavrov nega que Putin esteja doente: "Aparece em público todos os dias. Podem vê-lo nos ecrãs"

30 mai, 11:52

A saúde de Putin e sua vida privada são assuntos tabus na Rússia, quase nunca discutidos em público. Mas agora, questionado por um canal de televisão francês, Lavrov teve de responder a uma pergunta sobre o tema

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, negou na noite de domingo que o presidente russo, Vladimir Putin, esteja doente, assegurando que não mostra sinais disso.

Respondendo a uma pergunta da emissora francesa TF1, Lavrov afirmou: "Não creio que as pessoas sãs possam ver em Putin sinais de algum tipo de doença ou enfermidade".

Lavrov disse que Putin, que fará 70 anos em outubro, aparece em público "todos os dias". "Podem vê-lo nos ecrãs, ler e ouvir os seus discursos", disse Lavrov em comentários divulgados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

"Deixo isso à consciência daqueles que espalham tais rumores".

A saúde e a vida privada de Putin são temas tabu na Rússia, e quase nunca são discutidos em público.

Há duas semanas, em entrevista à Sky News, o chefe da inteligência ucraniana, Kyrylo Budanov, afirmou que o presidente russo "está numa condição física e psicológica muito má". Na entrevista, Budanov disse ainda acreditar que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia poderá ficar resolvido até ao final do ano.

Donbass é "prioridade incondicional" para a Rússia

Na mesma entrevista, Sergei Lavrov garantiu que "a libertação do Donbass é a prioridade incondicional" do Kremlin. O ministro afirmou que os outros territórios ucranianos "devem decidir o futuro por eles mesmos".

"A nossa principal prioridade é a libertação das regiões de Donetsk e Lugansk, que agora são reconhecidas pela Federação Russa como estados independentes", começou por afirmar. Contudo, quando questionado se a Rússia irá anexar as duas republicas separatistas, Lavrov esclareceu: "Não se trata de anexação. Trata-se de uma operação militar solicitada pelos Estados soberanos das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, ao abrigo da Carta das Nações Unidas, cujo artigo 51.º prevê o direito à legítima defesa individual e colectiva. Defendemos as populações e ajudamos a restaurar a sua integridade territorial".

Na semana passada, Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de estar a cometer um “genocídio” no Donbass. “A atual ofensiva dos ocupantes no Donbass pode tornar a região desabitada”, disse Zelensky no seu discurso diário transmitido na televisão, acusando as forças russas de tentar “incendiar” várias cidades da região.

Em resposta, quando questionado se a batalha pelo Donbass será a última, Lavrov elaborou: "Certamente, as pessoas morrem. Mas se a operação está a demorar tanto, como estamos a observar agora, é principalmente porque o exército russo recebeu ordens para evitar qualquer ataque, qualquer ataque contra a infraestrutura civil a todo custo. Apenas infra-estrutura, equipamento e pessoal militar devem ser visados".

"Agimos de maneira completamente diferente em comparação com o exército ucraniano e o batalhão ucraniano neonazi que simplesmente usa civis como escudos humanos. Se você já esteve lá, provavelmente já viu ou ouviu como esses batalhões ucranianos colocam armas pesadas em áreas residenciais, perto de escolas, hospitais e jardins de infância. Você provavelmente também sabe como eles bombardeiam regularmente Donetsk, as áreas residenciais desta grande cidade, como os civis sofrem", acusou.

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