Zelensky exclui tentar retomar Crimeia pela força. "Não acredito que possamos recuperar todo o nosso território por meios militares"

CNN Portugal , HCL
28 mai, 23:35
Volodymyr Zelensky (Ukrainian Presidential Press Office via AP)

Num discurso à nação ucraniana, o chefe de estado reconheceu que a situação em Donbass, onde a Rússia afirmou ter tomado o controlo da cidade estrategicamente importante de Lyman e cercado Sievierodonetsk, era um desafio. "É lá indescritivelmente difícil. E estou grato a todos aqueles que resistiram a esta investida"

O presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskiy revelou um pouco mais sobre a sua anterior afirmação de que a região do Donbass iria permanecer nas mãos do país, apesar da intensa investida das forças militares russas na região. Na noite deste sábado, na sua comunicação habitual à nação ucraniana, disse que não acreditava que todas as regiões anexadas pela Rússia desde 2014, incluindo a Crimeia, pudessem ser reconquistadas militarmente.

Num discurso feito na televisão, citado pela Reuters, Zelensky agradeceu às forças ucranianas por se manterem em Donbass, e repetiu a sua crença de que Moscovo viria à mesa das negociações se o seu país retomasse todas as terras conquistadas pela Rússia desde a sua invasão de 24 de Fevereiro.

Mas excluiu ir mais longe e tentar retomar pela força a Crimeia e outros territórios perdidos desde a invasão russa naquele país, em 2014. "Não acredito que possamos recuperar todo o nosso território por meios militares. Se decidirmos ir por esse caminho, perderemos centenas de milhares de pessoas", avisou.

Zelensky reconheceu que a situação em Donbass, onde a Rússia afirmou ter tomado o controlo da cidade estrategicamente importante de Lyman e cercado Sievierodonetsk, era um desafio. "É lá indescritivelmente difícil. E estou grato a todos aqueles que resistiram a esta investida".

O presidente da Ucrânia acrescentou também que esperava "boas notícias" sobre fornecimentos de armas na próxima semana, mas não deu mais pormenores.

Durante este sábado, Putin falou ao telefone com o presidente francês e o chanceler alemão sobre a situação na Ucrânia. Segundo a Interfax, a conversa do presidente russo com Macron e Scholz foi divulgada pelo Kremlin. A mesma fonte revelou que o Kremlin está pronto para encontrar opções para as exportações de cereais da Ucrânia, que têm sido colocadas em causa pela guerra, e informou que a Rússia pode aumentar a exportação de fertilizantes e produtos agrícolas se as sanções a Moscovo forem levantadas. 

Nesta conversa telefónica com os dois líderes ocidentais, Putin voltou a avisar para os perigos de as armas do ocidente serem enviadas para a Ucrânia e acrescentou que a Rússia está pronta para voltar a dialogar com Kiev.

Por outro lado, o presidente francês e o chanceler alemão pediram a Putin para libertar os 2.500 combatentes da Azovstal, que foram entretanto detidos pela Rússia, revelou fonte do Palácio do Eliseu. Os dois líderes europeus também pressionaram o presidente russo para aceitar falar diretamente com o presidente ucraniano.

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