Veja como saber com que variante da covid-19 foi infetado

30 dez 2021, 17:30
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge

Um paciente que tenha covid-19 pode saber com que variante foi infetado - mas custa dinheiro. Há outra alternativa mas envolve o que "seria uma grande pontaria"

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A variante Ómicron já é dominante em Portugal e, de acordo com os últimos estudos publicados, tem características muito diferentes das da estirpe Delta, que dominou a maior parte dos resultados positivos entre junho e setembro. Uma dessas dissemelhanças, por exemplo, tem que ver com o facto de a variante descoberta originalmente na África do Sul estar associada a um risco cinco vezes maior de reinfeção do que a variante Delta, de acordo com um estudo feito em dezembro pelo Imperial College de Londres. 

Ainda que possa inferir uma distinção com base nos sintomas que regista (pingo no nariz, dor de garganta, dor de cabeça, cansaço), “uma pessoa, em termos clínicos, não tem capacidade para saber se é uma variante ou outra”, explica à CNN Portugal Germano de Sousa, especialista em Patologia Clínica e antigo bastonário da Ordem dos Médicos.

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Para se saber concretamente com se um utente pode ter sido infetado com a variante Ómicron é necessário recorrer-se a um teste específico com uma sonda que reconheça a estirpe que se pretende identificar. Mas este é um processo dispendioso e pouco relevante, advoga Germano de Sousa, apontando para o facto de este teste custar o dobro de um PCR (à volta dos cem euros).

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"Em princípio ninguém está disposto a pagar isso, muito menos o Estado a comparticipar”, afirma o especialista, garantindo que, nos seus laboratórios, apenas uma ou duas pessoas pediram até hoje para realizar o teste de variantes da covid-19.

Este tipo de testes pode ser realizado por pacientes que tenham o diagnóstico da covid-19 confirmado há menos de 10 dias por testes de deteção viral, como por exemplo o antigénio. Isto porque o teste em si é incapaz de detetar eficazmente a presença do SARS-CoV-2 e serve apenas para identificar uma das variantes do vírus. Durante o teste são recolhidas secreções do nariz, a partir da nasofaringe, que depois são analisados. No final, os possíveis resultados são “detetado” ou “não detetado”.

A realização de um teste PCR pode também dar uma pista sobre se o utente está infetado ou não com a variante Ómicron, uma vez que esta estirpe tem uma “falha” que pode ser detetada no gene S, responsável por codificar a proteína Spike (“falha” que, na maior parte dos casos, a Delta não regista). 

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Teoricamente, ainda há outra forma de saber com que variante a pessoa foi infetada através do registo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA): os laboratórios enviam os testes positivos, identificados com um número de código, para o INSA, que procede, com base em amostragem aleatória, à sequenciação do genoma viral. Depois disto, o Instituto mantém os resultados no seu registo - por isso, se um utente quiser saber, por exemplo, com que variante esteve infetado em agosto, pode fazê-lo contactando o INSA, mas é um tiro no escuro.

“Seria uma grande pontaria. Foram sequenciados 25 mil vírus, mas é apenas uma pequena parte das infeções”, afirma João Paulo Gomes, responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA.

Durante o período de 1 a 22 de dezembro, o INSA teve acesso a 14.707 testes PCR positivos detetados com o kit TaqPath, um dos que medem a proporção de casos prováveis da variante Ómicron através da falha na deteção do gene S. 

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Portugal tem verificado um crescimento exponencial na proporção de casos prováveis da variante Ómicron e esta quinta-feira bateu pela terceira vez consecutiva o número de casos de covid-19 registados diariamente.

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