O momento em que um soldado russo, o único sobrevivente, se rende a um drone ucraniano que estava prestes a matá-lo

CNN , Mitchell McCluskey, Sarah Dean e Olga Voitovych
16 jun 2023, 08:00
Rendição de soldado russo. Reprodução YouTube WSJ

Vídeo foi obtido e partilhado pelo Wall Street Journal

As forças ucranianas pouparam a vida de um soldado russo quando este se rendeu a um drone no campo de batalha, momentos antes de os seus operadores abrirem fogo, confirmou um comandante ucraniano à CNN.

Imagens de drones da 92.ª brigada mecanizada da Ucrânia, publicadas pelo Wall Street Journal, mostram a rendição numa trincheira de Bakhmut, no leste do país, em maio.

Em declarações à CNN, Yuriy Fedorenko, comandante da divisão de drones "Achilles" da 92.ª Brigada, confirmou a rendição.

"Quando ele percebeu que ia morrer, atirou a metralhadora para o lado, levantou as mãos e disse que não ia continuar a lutar", contou Fedorenko.

"Naquela altura, tínhamos um helicóptero com explosivos pronto para o eliminar. Mas como o inimigo deitou fora a arma e fez um gesto de que se iria render, decidimos dar-lhe ordem de rendição."

O vídeo parece mostrar o soldado russo a fugir dos drones ucranianos nas trincheiras do campo de batalha de Bakhmut. O soldado então para e tenta comunicar com o drone através de gestos com as mãos.

O vídeo foi editado com música. A CNN não viu o vídeo em bruto.

Após a rendição, os repórteres do Wall Street Journal entrevistaram o soldado russo num centro de detenção na região de Kharkiv, a 19 de maio, sob a supervisão de um guarda.

A CNN não pôde verificar se o soldado falou sob coação ou não.

Os repórteres também falaram com o piloto de drones ucraniano que, segundo o jornal, disse ter decidido poupar-lhe a vida depois de ver as suas súplicas.

"Apesar de ele ser inimigo [...] senti pena dele", afirmou.

O piloto do drone enviou um bilhete ao soldado dizendo-lhe para seguir o drone se quisesse render-se, de acordo com o Wall Street Journal.

As imagens parecem mostrar o soldado a seguir o drone, desviando-se de um morteiro pelo caminho.

Ao chegar a uma posição ucraniana, o soldado caiu de joelhos e retirou o capacete e o colete à prova de bala.

As forças ucranianas detiveram-no e, mais tarde, levaram-no para um centro de detenção na região de Kharkiv, informou o jornal.

"Trata-se provavelmente de um caso sem precedentes em que, através do trabalho coordenado da brigada e da componente de reconhecimento aéreo, conseguimos capturar o invasor", observou o comandante ucraniano Fedorenko.

De acordo com o Wall Street Journal, o soldado russo trabalhava como gerente de uma loja de bebidas antes de ser recrutado em setembro do ano passado.

Antes de ser enviado para Bakhmut, disse ter desempenhado funções de guarda e construiu posições fortificadas em Lugansk.

Bakhmut, em direção ao nordeste da região de Donetsk, tem assistido a alguns dos combates mais violentos da invasão russa e é uma parte fundamental da contraofensiva de Kiev.

A batalha, que dura há meses, tem sido comparada ao tipo de combate da Primeira Guerra Mundial, com soldados a lutar em trincheiras lamacentas, evitando o fogo de artilharia, e foi descrita pelo chefe do grupo mercenário russo Wagner como um "triturador de carne".

Os drones comerciais baratos tornaram-se uma ferramenta crucial na guerra da Ucrânia, quer como plataformas de vigilância, quer como armas ofensivas.

Os soldados ucranianos tornaram-se hábeis em improvisar drones para lançar explosivos sobre tropas e veículos inimigos.

Os drones também salvaram vidas.

No início deste ano, uma equipa da CNN na Ucrânia relatou como, na fase inicial da invasão, um grupo de soldados ucranianos usou um drone para ajudar a conduzir uma mulher civil para um local seguro, depois de o carro em que viajava ter sido alvejado pelos russos.

As imagens desse ataque, que feriu gravemente o marido da mulher, foram também captadas pela câmara do mesmo drone e, juntamente com as chamadas telefónicas intercetadas, foram usadas pelos procuradores ucranianos para construir um processo de crimes de guerra contra um comandante russo.

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