Estudante acusado de terrorismo "não estava totalmente alheio das consequências dos seus atos" e tinha capacidade de decidir, avalia perito

28 out, 11:17
Justiça

A segunda sessão do julgamento do jovem de 19 anos prossegue nesta sexta-feira. Durante a manhã, foram ouvidos em tribunal o psiquiatra forense que fez a análise psicológica do suspeito, a mãe e uma colega da faculdade

O estudante acusado de crimes de terrorismo na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa "não estava totalmente alheio das consequências dos seus atos" apesar do diagnóstico de autismo e depressão, de acordo com a avaliação do perito da análise psicológica que foi ouvido esta manhã no julgamento.

"O examinando, em razão do autismo e da depressão, não estava totalmente alheio das consequências dos seus atos", avaliou o psiquiatra forense Bruno Trancas, acrescentando que, embora o suspeito não estivesse "totalmente capaz de compreender as consequências emocionais", tinha efetivamente capacidade de decidir, até porque foi adiando o ato.

O psiquiatra considera, por isso, que o arguido de 19 anos não é inimputável.

Depois da audição do perito, toma a palavra a colega da faculdade do suspeito, Rya, que disse ter recebido uma mensagem de João, cerca de duas semanas antes de ter sido detido, na qual o suspeito lhe dizia que ia fazer o ataque.

"O João era meu amigo. Achei sempre que era uma brincadeira. Nunca me passou pela cabeça que ele fosse fazer isso", afirmou, acrescentando que uns dias antes, o estudante tinha tido nota zero num projeto por plágio.

A mãe do jovem, que também foi ouvida esta manhã, garante que o filho "não era capaz de fazer aquilo" e recorda que, uma vez, João admitiu que lhe fazia impressão ver mortos e não gostava de sangue. Além disso, afirma que o filho nunca teve canivetes ou facas e que nem as sabia manusear.

Segundo a mãe, João foi estudar para Lisboa a pedido de Micaela, uma alegada paixão secreta do filho, e só regressava a casa aos fins de semana.

João era acompanhado em Coimbra por causa do autismo desde os 10 anos, com consultas anuais. Aos 17, teve alta e, depois desse dia, deixou de ter acompanhamento clínico, conta a mãe, que refere que nunca lhe foi recomendado outro médico. Agora que está a ser acompanhado, o filho está bem, assegura.

Falando com serenidade em tribunal, a mãe diz que todos os domingos visita o filho na cadeia: "Quando o vi pela primeira vez, não reconheci o meu filho e agora vejo o João como o menino que ele era. Um menino bom, meigo e sem maldade. É um menino puro."

A segunda sessão retoma esta tarde, pelas 14:00. João Carreiras está acusado de dois crimes de terrorismo - um dos quais na forma tentada, e outro de detenção de arma proibida - por suspeitas de planear um ataque terrorista na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a 10 de fevereiro deste ano,  mas que terá sido travado pela Polícia Judiciária, que diz que o mesmo estava a ser preparado desde setembro de 2021.

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