Imprensa internacional destaca desfile e eventuais reparações coloniais

Agência Lusa , MM
26 abr, 10:10
Celebração dos 50 anos do 25 de Abril em Lisboa (FOTO: Joana Moser)

Os 50 anos do 25 de Abril vistos pelos jornais estrangeiros

A polémica sobre reparações coloniais e as imagens das celebrações populares do cinquentenário da Revolução de 1974 estão hoje presentes na imprensa internacional com particular destaque nos jornais dos países de língua portuguesa. 

O portal do Jornal de Notícias de Moçambique titula a importância dos povos africanos nas mudanças em Portugal.

"O Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou ontem [quinta-feira] que o povo português, ao celebrar os 50 anos da Revolução dos Cravos, que se assinala a 25 de Abril, não se deve esquecer da contribuição dos povos africanos” escreve o jornal moçambicano sobre as declarações do chefe de Estado.

Para o Presidente moçambicano, a presença dos representantes destes países na celebração é um tributo aos "heróis da luta anticolonial e dos jovens que puseram fim ao regime opressor".

A participação dos chefes de Estado e representantes dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 é assunto de destaque também no Jornal de Angola que refere a presença do Presidente João Lourenço.

Na edição da publicação Expresso das Ilhas, de Cabo Verde, uma notícia acompanhada de fotografia refere que a bancada do MpD (Movimento para a Democracia) lembrou os 50 anos do 25 de Abril e renovou o compromisso com os ideais de liberdade e justiça, "através de uma declaração política".

“Neste 25 de Abril celebramos não apenas a data, mas também renovamos o nosso compromisso com os ideais de liberdade e justiça. Cabo Verde é uma nação que busca fortalecer e valorizar esses princípios fundamentais”, expressou o deputado Euclides Silva, em representação do grupo parlamentar.

Em destaque, o mesmo portal publica as declarações do académico de Cabo Verde Daniel dos Santos que considerou o 25 de Abril como uma das datas “mais importantes e memoráveis” para a história de Cabo Verde, apesar de não ter cumprido as promessas para com o país.

No Brasil, o portal do Folha de São Paulo publica fotografias das comemorações e a edição eletrónica do Globo titula: "'Fascismo nunca mais': Dezenas de milhares de pessoas celebram os 50 anos de democracia em Portugal"

O Globo refere que as comemorações do 50.º aniversário da Revolução dos Cravos "acontece num cenário de recrudescimento da extrema-direita e após declarações do Presidente (Marcelo Rebele de Sousa) sobre reparações históricas.

Trata-se de um "tema tóxico", escreve o Globo que acompanha os textos as fotografias das comemorações nas ruas de Lisboa. 

O portal do jornal espanhol El Pais publica uma fotografia de um blindado utilizado em 1974 pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) cercado de cidadãos com cravos vermelhos. 

"Portugueses saem à rua para reclamar a liberdade conquistada com a Revolução dos Cravos. A extrema-direita despreza o 25 de abril de 1974 e ataca Marcelo Rebelo de Sousa por oferecer uma reparação pelo colonialismo", escreve a correspondente do El Pais em Portugal na edição desta sexta-feira.

No jornal La Vanguardia, o articulista Félix Flores escreve hoje que o 25 de Abril de 1974 "é um golpe militar que merece ser celebrado"

"O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, na véspera do aniversário, que 'a direita partilha o mesmo orgulho na transição pacífica' que o 25 de Abril representa. Para alguns, isso significa esvaziar de conteúdo de uma revolta civil e militar que foi de esquerda", acrescenta o artigo. 

O mesmo portal publica o trabalho "Filmar a Revolução" com fotografias a cores da Revolução dos Cravos.

O jornal britânico The Guardian publica uma galeria com mais de 10 fotografias das comemorações de quinta-feira na capital portuguesa. 

"Milhares de pessoas celebraram na quinta-feira, em Lisboa, o 50.º aniversário da Revolução dos Cravos, que derrubou a mais longa ditadura fascista da Europa e deu início à democracia. A revolução, quase sem derramamento de sangue, foi conduzida por um grupo de oficiais subalternos do exército que queriam a democracia e pôr fim às longas guerras contra os movimentos independentistas nas colónias africanas", escreve o Guardian.

O mesmo jornal publica um artigo do académico Vicente Valentim sobre 1974 e o crescimento da "extrema-direita".

"Em Portugal, estamos a celebrar 50 anos de liberdade. Então, porque é que a extrema-direita está a voltar?", questiona o cientista político português da Universidade de Oxford e autor do livro "O Fim da Vergonha". 

"Ainda não é claro como é que a democracia portuguesa vai responder aos novos desafios colocados pela ascensão da extrema-direita e pelo fim do tradicional sistema bipartidário. O que é claro, no entanto, é que Portugal se encontra numa encruzilhada política crucial", escreve o académico no The Guardian.

No portal do jornal francês Libération as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre reparações dos crimes da colonização são tratadas num artigo acompanhado de fotografias.

"Numa altura em que várias organizações apelam aos antigos impérios coloniais para que assumam as suas responsabilidades, o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que quer “pagar” pelos crimes cometidos pelo seu país", escreve o Libération.

Le Monde publica uma fotografia de Vasco Lourenço, membro do MFA e presidente da Associação 25 de Abril, ao lado da viúva de Salgueiro Maia.

"Em 25 de abril de 1974, os militares portugueses derrubaram o regime autoritário de Salazar (...). Por ocasião do cinquentenário desta revolução, os intervenientes e os que a testemunharam reconstituem as poucas horas em que o velho mundo deu lugar ao novo", diz o artigo do Le Monde acompanhado de fotografias das comemorações populares.

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