Investigação deteta possível causa dos coágulos provocados pela vacina da AstraZeneca

2 dez 2021, 16:00
AstraZeneca

No centro está a ligação de uma proteína específica do sangue ao adenovírus dentro da vacina da farmacêutica. Investigadores realçam que consequência é extremamente rara

Uma equipa de cientistas, que contou com investigadores da farmacêutica AstraZeneca, acredita ter encontrado o motivo por detrás da relação entre a vacina contra a covid-19 da Astrazeneca e casos de trombose detetados na Europa este ano.

A investigação, realizada entre o País de Gales e os Estados Unidos, aponta para a forma como o adenovírus, usado pela vacina para transportar o material genético do coronavírus para as células, se conecta a uma proteína específica no sangue, conhecida como fator plaquetário 4 (PF4).

Esta atração, afirmam os investigadores, pode desencadear uma reação em cadeia no sistema imunológico que pode culminar no desenvolvimento de coágulos sanguíneos - uma condição conhecida como trombocitopenia trombótica imunológica induzida pela vacina.

Apesar de se estimar que a vacina tenha salvado um milhão de vidas da doença, preocupações com os raros coágulos sanguíneos moldaram a forma como o fármaco tem sido utilizado e percepcionado mundialmente, levando à suspensão temporária em vários países.

Uma porta-voz da farmacêutica AstraZeneca disse à BBC que os coágulos são mais prováveis ​​de ocorrer por causa de uma infecção por covid-19 do que através da inoculação e salientou que a explicação do seu aparecimento após a vacinação ainda não é totalmente conhecida.

Alan Parker, investigador e professor da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, disse ao jornal The Guardian que os casos de trombose só acontecem em casos extremamente raros, porque está sujeita a uma cadeia de eventos complexos.

Os dados confirmam que o PF4 pode interagir com o adenovírus (da vacina da AstraZeneca, que é de “vetor viral”), uma etapa importante para desvendar o mecanismo subjacente aos casos de trombose”, afirmou Parker que fez parte do estudo publicado esta quinta-feira na revista Science Advances.

Alan Parker espera agora que esta investigação possa ser utilizada para melhor entender os “raros efeitos colaterais das vacinas e, potencialmente, projetar melhorias nas vacinas que consigam acelerar o combate à pandemia nesta pandemia global.”

Até 28 de outubro de 2021, um total de 214.528 casos de reações adversas foram reportados após a toma da vacina da AstraZeneca, de acordo com dados da Agência Europeia do Medicamento

Desse total, 1.259 reações adversas culminaram em mortes.

Em Portugal, de acordo com dados até 31 de outubro, já foram administradas 2.215.402 doses da vacina da AstraZeneca, tendo sido reportados até essa data 4.961 reações adversas.

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