Pelosi despede-se de Taipé com um aviso para a China: Pequim "não pode impedir os líderes mundiais" de visitar Taiwan

CNN Portugal , HCL
3 ago, 18:31

Passagem da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos por Taiwan serviu para realçar "democracia florescente" da região e para reforçar um compromisso: "Os EUA estão empenhados na sua segurança"

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, afirmou que Pequim não pode impedir os líderes mundiais de viajar para Taiwan, antes de partir da ilha esta quarta-feira para continuar a sua digressão pela Ásia. Num comunicado recentemente publicado e que resumia a sua viagem, Pelosi expressou a sua admiração pela democracia de Taiwan e criticou o partido comunista da China por obstruir Taipé a nível global.

"Infelizmente, Taiwan foi impedida de participar em reuniões globais, mais recentemente na Organização Mundial de Saúde, devido a objeções do partido comunista chinês", disse Pelosi, acrescentando que, “embora possam impedir Taiwan de enviar os seus líderes a fóruns globais, não podem impedir os líderes mundiais ou qualquer outra pessoa de viajar para Taiwan e respeitar a sua democracia florescente, para realçar os seus muitos sucessos e para reafirmar o compromisso de colaboração contínua".

A viagem de Pelosi gerou elevadas e intensas críticas por parte de Pequim e provocou receios de uma nova crise no estreito de Taiwan. A China prometeu "consequências" e anunciou na quinta-feira exercícios militares nas águas em redor da ilha como forma de mostrar a sua insatisfação. Já as autoridades taiwanesas disseram que, antes do exercício, 27 aviões de guerra chineses tinham entrado na zona de defesa aérea da ilha.

Numa conferência de imprensa antes de abandonar a região, Pelosi questionou as motivações do presidente chinês, Xi Jinping, ao ser questionada sobre as suas fortes objeções à viagem, que foi a visita ao mais alto nível dos EUA à ilha em 25 anos, com uma explosão de atividade militar nas águas circundantes.

"É realmente importante que a mensagem seja clara", disse Pelosi. "[Os EUA] estão empenhados na segurança de Taiwan ... mas trata-se dos nossos valores comuns de democracia e liberdade e de como Taiwan tem sido um exemplo para o mundo ... Se existem inseguranças do presidente da China relacionadas com a sua própria situação política, não sei". 

Crítica de longa data da China, especialmente em matérias de direitos humanos, Pelosi encontrou-se com um antigo ativista da Tiananmen, um bibliotecário de Hong Kong que tinha sido detido pela China, tal como um ativista recentemente libertado pela China.

O último presidente da Câmara dos Representantes, a terceira figura dos Estados Unidos, a ir a Taiwan foi Newt Gingrich, em 1997. Mas a visita de Pelosi surge no meio de uma deterioração acentuada das relações entre a China e os Estados Unidos, e pelo meio, durante o último quarto de século, emergiu como uma força económica, militar e geopolítica muito mais poderosa.

Os Estados Unidos também advertiram a China contra a utilização da visita como pretexto para uma acção militar contra Taiwan. No entanto, como retaliação, o departamento aduaneiro chinês anunciou uma suspensão das importações de citrinos e de certos peixes vindos de Taiwan, ao mesmo tempo que foi proibída a exportação de areia natural para Taiwan.

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