Taça: FC Porto-Sporting, 1-0 (crónica)

Vítor Hugo Alvarenga , Estádio do Dragão, no Porto
21 abr, 22:28

Porto de honra no desnorte leonino

O FC Porto venceu novamente o Sporting (1-0) e vai marcar presença na final da Taça de Portugal, no Jamor, frente ao Tondela. Toni Martínez saiu do banco para decidir o clássico ao minuto 83, a passe de Pepe, a surpresa no onze azul e branco.

O capitão portista foi a jogo graças a uma providência cautelar apresentada pelos dragões e validada em tempo útil pelo Tribunal Central Administrativo do Sul.

A equipa de Sérgio Conceição tinha garantido um triunfo na primeira mão das meias-finais (1-2) e voltou a demonstrar superioridade frente a um Sporting que atravessará um dos seus piores períodos sob o comando técnico de Ruben Amorim. O FC Porto, em contraponto, segue com fortes argumentos para uma possível «dobradinha».

A formação leonina averba a segunda derrota consecutiva, após o dérbi frente ao Benfica, e pode ter dito adeus a dois objetivos em menos de uma semana. O treinador do Sporting considera que o campeonato está perdido para o FC Porto e a Taça de Portugal saiu de cena.

Para além dos resultados negativos, o que salta à vista é a incapacidade crescente entre os campeões nacionais perante este ciclo. A equipa de Alvalade não conseguiu furar as linhas mais recuadas do Benfica e também não encontrou soluções para chegar ao golo perante dragões a jogar com postura ofensiva, sobretudo na etapa complementar. Foi curto, muito curto.

37 minutos para esquecer

Vamos escrever apenas sobre futebol, acreditando que o leitor procurará o resto se tal lhe interessar. Pelo meio de muita polémica, de protestos e quedas constantes no relvado, sobra espaço para alguns parágrafos sobre o jogo jogado.

Assim sendo, podemos saltar diretamente para o minuto 38 do clássico no Estádio do Dragão, momento em que Zaidu – já depois de um golo anulado a Sarabia por fora de jogo claro – aproveitou uma investida de Taremi para surgir com espaço na área e, na cara de Adán, atirar incrivelmente ao lado.

Em relação à primeira parte, foi isto. Apenas e só. O FC Porto surgiu com o capitão Pepe e apostou num 4x1x3x2 com Fábio Vieira nas costas dos avançados, enquanto o Sporting apresentou Matheus Reis e Ugarte nos lugares de Nuno Santos e Palhinha, com o desenho tradicional.

Os dragões jogaram pouco na etapa inicial, os leões fizeram o mesmo. Foi mau demais para justificar análises detalhadas. Tudo melhorou na etapa complementar, felizmente.

O Sporting, que vinha com uma desvantagem da primeira mão (2-1), precisava de marcar dois golos no recinto portista para seguir em frente. Matheus Nunes teve uma oportunidade soberana para inaugurar a contagem ao minuto 50, mas perdeu o duelo com Marchesín, que regressou à baliza azul e branca e fez uma intervenção decisiva.

Superioridade total do FC Porto

Por essa altura, porém, a equipa de Sérgio Conceição já estava a ganhar claro ascendente sobre o adversário e nem a primeira alteração de Ruben Amorim – trocou Luís Neto por Ricardo Esgaio ao minuto 56 – produziu efeitos relevantes.

O FC Porto subiu linhas, forçou erros na saída do adversário e montou o cerco à baliza de Adán. O guarda-redes espanhol foi rebatendo as sucessivas tentativas de Fábio Vieira e Vitinha, numa fase de jogo em que a meia distância era o prato principal dos dragões.

Com dificuldades na primeira fase de construção, o Sporting fazia pouco mais do que tentar segurar o nulo, demasiado curto para as suas aspirações. Vindo de uma derrota no clássico com o Benfica, os próprios jogadores leoninos demonstravam pouca capacidade para alterar o rumo do encontro, passando uma imagem de falta de ambição, pouco condizente e nada habitual no passado recente do clube.

Depois de tanta conversa, de tanta comunicação negativa em torno deste clássico, de parte a parte, sobrou uma hora de bom futebol do FC Porto, que foi claramente superior ao Sporting na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Já tinha sido na primeira, aliás.

Toni Martínez saiu do banco para materializar esse ascendente e confirmar a presença azul e branca no Estádio Nacional, no Jamor. O golo do avançado espanhol (83m), que foi servido por Pepe e fugiu a Gonçalo Inácio, começou por ser anulado por fora de jogo, mas a decisão foi revertida com recurso ao VAR.

O final do encontro voltou a ter mais confusão que futebol e fica apenas a nota para uma entrada muito violenta de Pedro Porro sobre Galeno, totalmente desnecessária, confirmando o pleno desnorte do Sporting neste clássico.

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