Quantas horas dorme por noite? Esta é a quantidade ideal de sono na meia e terceira idades

CNN , Katie Hunt
8 mai, 10:00
Relógio (Getty Images)

A quantidade ideal de sono é nem muito, nem pouco – pelo menos na meia e terceira idades.

Novas pesquisas descobriram que cerca de sete horas de sono é o descanso ideal por noite, estando o sono insuficiente e excessivo associado a uma capacidade reduzida de prestar atenção, lembrar e aprender coisas novas, resolver problemas e tomar decisões.

Verificou-se também que sete horas de sono estavam ligadas a uma melhor saúde mental, com as pessoas a sofrer de mais sintomas de ansiedade e depressão e pior bem-estar geral ao relatarem ter dormido por períodos mais longos ou mais curtos.

"Embora não possamos dizer conclusivamente que pouco ou muito sono causa problemas cognitivos, a nossa análise a indivíduos durante um longo período de tempo parece sustentar esta ideia", disse Jianfeng Feng, professor da Universidade de Fudan, na China, e autor do estudo publicado na revista científica Nature Aging, em comunicado.

"Mas as razões pelas quais as pessoas mais velhas têm um sono mais pobre parecem ser complexas, influenciadas por uma combinação da nossa composição genética e da estrutura do nosso cérebro."

Investigadores da China e do Reino Unido analisaram dados de quase 500 mil adultos com idades entre os 38 e os 73 anos que faziam parte do Uk Biobank -- um estudo de saúde de longo prazo apoiado pelo governo. Os participantes foram interrogados sobre os seus padrões de sono, saúde mental e bem-estar, e participaram numa série de testes cognitivos. Estavam disponíveis imagens cerebrais e dados genéticos para quase 40 mil dos participantes do estudo.

Outras pesquisas descobriram que os adultos mais velhos que têm dificuldades significativas em adormecer e que experienciam despertares noturnos frequentes correm um risco elevado de desenvolver demência ou morrer precocemente de qualquer causa, ao passo que dormir menos de seis horas por noite tem sido ligado a doenças cardiovasculares.

Uma das razões para a ligação entre dormir pouco e o declínio cognitivo pode ser a rutura do sono profundo, que é quando o cérebro repara o corpo do desgaste do dia e consolida memórias. Dormir pouco também está associado com a acumulação de amiloide, uma proteína essencial que pode causar emaranhados no cérebro que caracterizam alguma forma de demência. O estudo também disse que é possível que uma duração prolongada do sono provenha de um sono de má qualidade e fragmentado.

O Dr. Raj Dasgupta, porta-voz da Academia Americana de Medicina do Sono e professor assistente de medicina clínica na Keck School of Medicine da Universidade do Sul da Califórnia, afirmou que durações de sono mais prolongadas tinham sido associadas a problemas cognitivos, mas a razão não era inteiramente clara.

"Isto define uma meta para a investigação futura e a procura de tratamento", disse Dasgupta, que não esteve envolvido na investigação. "O sono é essencial à medida que envelhecemos, e precisamos de dormir tanto como os mais jovens, mas é mais difícil chegar lá."

O estudo teve algumas limitações - avaliou apenas quanto tempo os participantes dormiam no total e não qualquer outra medição da qualidade do sono, como acordar durante a noite. Além disso, os participantes indicaram quanto dormiam, portanto, isso não foi objetivamente medido. No entanto, os autores disseram que o grande número de pessoas envolvidas no estudo significava que as suas conclusões eram plausíveis.

Os autores disseram que as suas descobertas sugeriam que era importante que o sono, idealmente de cerca de sete horas, fosse consistente.

O estudo mostrou uma ligação entre muito e pouco sono e problemas cognitivos, não causa e efeito, advertiu Russell Foster, professor da Universidade de Oxford e diretor do Sir Jules Thorn Sleep and Circadian Neuroscience Institute, que não esteve envolvido na investigação. Ele disse que o estudo não tinha tido em consideração o estado de saúde dos indivíduos e que o sono curto ou longo pode ser um indicador das condições de saúde subjacentes com problemas cognitivos.

Disse ainda que tomar a média de sete horas como a quantidade ideal de sono "ignora o facto de haver uma variação individual considerável na duração do sono" e na qualidade. Menos ou mais sono pode ser perfeitamente saudável para alguns indivíduos, disse.

"Dizem-nos regularmente que a noite de sono 'ideal' nos idosos deve ser de sete horas de sono ininterrupto. Esta crença está errada em muitos aspetos. O sono é como o tamanho do sapato; um tamanho não serve para todos, e classificar o 'bom sono' desta forma pode causar confusão e ansiedade para muitos", disse Foster, autor do aguardado livro "Life Time: The New Science of the Body Clock, and How It Can Revolutionize Your Sleep and Health".

"Quanto tempo dormimos, os nossos tempos de sono preferidos e o número de vezes que acordamos durante a noite varia imenso entre indivíduos e à medida que envelhecemos. O sono é dinâmico, e todos temos diferentes padrões de sono, e o mais importante é avaliar quais são as nossas necessidades individuais."

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