“O sentido de humor dele continua intacto”. Após ser esfaqueado, família vê melhorias em Salman Rushdie (que continua em “estado crítico”)

14 ago, 17:27

Obra “Os Versículos Satânicos” é considerada pelos muçulmanos radicais como uma blasfémia ao Alcorão e ao profeta Maomé. É ela que está na origem do ataque ao escritor britânico, que já respira sozinho mas deverá ficar com danos irreversíveis no corpo

O filho do escritor britânico, Salman Rushdie, adiantou este domingo que o pai “continua em estado crítico”, apesar de algumas melhorias ao longo das últimas horas. “Estamos extremamente aliviados que ontem [sábado] tenha sido capaz de respirar sem ventilador ou oxigénio externo e de dizer algumas palavras”, escreveu Zafar Rushdie no Twitter.

“Apesar de os ferimentos que mudaram a nossa vida serem severos, o sentido de humor bravo e desafiador dele continua intacto”, garantiu o filho do autor de “Os Versículos Satânicos”. O porta-voz da família agradece ainda a todos os que prestaram cuidados, de forma imediata, ao pai bem como o “intenso amor e apoio vidos de todas as partes do mundo”.

Os familiares de Salman Rushdie apelam ao respeito pela sua privacidade, explicando que “a família se reuniu junto à cama [do escritor] para o apoiar e ajudar ao longo deste tempo”.

Também o agente do escritor britânico, Andrew Wylie, fez uma atualização do estado de saúde do seu cliente, referindo que está no “caminho da recuperação”, num comunicado citado pelo “Washington Post”, onde se confirma que Rushdie já não está sob respiração assistida. Salman Rushdie foi apunhalado na passada sexta-feira por um jovem norte-americano de origem libanesa quando se preparava para dar uma palestra, em Nova Iorque.

O processo de recuperação, acrescentou Wylie, será longo. O autor de 75 anos foi esfaqueado uma dezena de vezes no pescoço e abdómen. O agente já tinha adiantado que o escritor deverá perder um olho. Os nervos de um dos braços foram cortados e sofreu ainda danos no fígado.

O escritor era ameaçado de morte desde 1989, após uma fátua – ou seja, um decreto da lei islâmica – iraniana, no seguimento da publicação de “Os Versículos Satânicos”, obra considerada pelos muçulmanos radicais como uma blasfémia contra o Alcorão e o profeta Maomé.

O ataque desta sexta-feira chocou o Ocidente, encarado como um ataque à liberdade de expressão, mas foi bem recebido por extremistas no Irão e Paquistão. O autor, Hadi Matar, de 24 anos, já foi levado a tribunal, dizendo-se inocente. Irá comparecer novamente em tribunal a 18 de agosto.

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