Países Baixos anunciam aumento de 10% no salário mínimo: é agora de 1.931 euros

22 set, 10:33
Mercado de flores em Amesterdão (Peter Dejong/AP)

Medida foi aplicada noutros países europeus, mas não a este nível

O governo dos Países Baixos anunciou uma subida do salário mínimo em 10%, numa altura em que as classes mais baixas começam a sentir o impacto da inflação e dos preços da energia, nomeadamente nas idas ao supermercado, aos postos de abastecimento ou no pagamento do crédito à habitação ou renda.

A medida faz parte de um pacote total de 18 mil milhões de euros que, como está a ser feito um pouco por toda a Europa, incluindo em Portugal, se destina a ajudar as famílias perante o aumento do custo de vida.

O rei Guilherme Alexandre, que falou ao parlamento num tradicional discurso antes da apresentação do Orçamento do Estado, reconheceu que é “uma realidade dolorosa que mais e mais pessoas nos Países Baixos estejam a lutar para pagarem as rendas, as contas de supermercado, os seguros de saúde e as faturas de energia”.

Embora outros países também tenham subido o salário mínimo, ninguém o fez como os Países Baixos, onde a remuneração mais baixa deverá passar para cerca de 1.931 euros mensais.

Em paralelo, também vão subir os pagamentos por pensões e de abono de família, ao mesmo tempo que os impostos que incidem sobre o salário, como o IRS, devem ver uma pequena descida. Tudo porque a taxa de inflação atingiu os 13,7% em agosto, um número acima da média da Zona Euro (9,1%) e dos 9,3% atribuídos a Portugal, segundo o Eurostat.

Do pacote de combate à inflação surge ainda uma medida que está a dividir alguns países: os windfall taxes, ou a taxação de lucros extraordinários de empresas que estejam a retirar mais proveitos que o suposto por causa da crise energética. Os Países Baixos ainda terão de esperar por uma decisão conjunta da União Europeia, mas parecem ser a favor, tal como Portugal já disse ser também. De resto, parte do financiamento deste pacote de ajuda virá do aumento dos impostos para as empresas, com o governo de Haia a esperar arrecadar 2,8 mil milhões de euros em 2023 e 2024 na sequência dos windfall taxes de empresas de energia.

Ainda assim, e mesmo com um pacote de ajuda que ronda os 1,8% do Produto Interno Bruto neerlandês, o rei reconheceu que nem toda a população vai ser ajudada: "Mesmo com um pacote desta magnitude, nem todos serão compensados totalmente pela subida de preços".

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