Chás, abacates, maçãs, abóboras ou vinagre. É nestes produtos que os portugueses ‘fogem’ à inflação

18 set, 10:00
Supermercado (Getty Images)

O truque para conseguir poupar no supermercado, contrariando a inflação, pode estar no chamado preço médio: isto é, o preço por litro, quilo ou unidade do mesmo produto. Um passo na mudança de hábitos de compras que os portugueses estão a adotar, virando-se para as marcas dos supermercados e “formatos poupança”

Chás, carne, abacates, citrinos, maçãs, águas com sabor, leite de fórmula para bebés, abóboras, peras e vinagre. O que têm em comum estes alimentos? Fazem parte da lista de categorias de alimentação e bebidas que não tiveram um aumento do preço médio até meados de agosto. Ou seja, estão a contrariar a tendência da inflação.

Mas estão mais baratos, quando tudo o resto sobe? Não necessariamente. A análise da consultora Kantar, disponibilizada à CNN Portugal, não assenta nos preços de venda ao público, conhecidos pela sigla PVP. Está antes em causa o preço médio pago: o valor em euros por quilo, litro ou unidade de determinado produto.

É por isso que, quando é feita a comparação com o ano passado, existem 46 de 331 categorias de produtos a fugir a um aumento de preços – uma minoria de 14%. Mas o mérito não será dos produtos em si, mas antes das estratégias encontradas pelos portugueses na hora de ir às compras.

Novos hábitos de consumo

Segundo a análise da Kantar feita para a CNN Portugal, nesta lista de produtos, a “principal mudança” é a alteração para marcas de distribuição – isto é, as marcas dos próprios híper e supermercados, geralmente mais baratas. A mesma quantidade de produto torna-se assim mais acessível, fazendo descer o preço médio.

Um exemplo concreto, recorrendo a uma categoria onde a tendência de descida do preço médio foi notória: se cada saqueta de chá preto custa sete cêntimos na marca de referência, custa quatro cêntimos na marca do hipermercado. Olhando apenas ao preço, a diferença é notória.

Outra das formas que as famílias encontraram para dar a volta à inflação foi a aposta em quantidades maiores, com os chamados “formatos poupança”, o que também faz reduzir o preço médio.

Um exemplo, recorrendo a uma lata de salsichas da mesma marca: uma lata de seis salsichas tipo Frankfurt tem um preço médio de 5,42 euros por quilo, um valor que desce para 3,76 euros numa lata de dez unidades, com o chamado “formato poupança”.

Encher o carrinho é uma tarefa cada vez mais difícil (EPA/José Coelho)

São poupanças que, cêntimo e cêntimo, vão fazendo a diferença nos orçamentos das famílias portuguesas. Segundo a Kantar, há apenas três tipos de produtos que não crescem no preço médio, no peso das marcas de distribuição, das promoções ou da quantidade de compra: citrinos, laranjas e produtos de incontinência.

Mas, uma vez mais, a consultora ressalva que a análise dos dados nunca pode ser linear, existindo vários cenários e caminhos possíveis. No caso das laranjas, por exemplo, terão havido mudanças nos padrões de compra, como o calibre, a origem ou o local de compra das mesmas que influenciam este resultado.

A análise da Kantar assenta num universo de quatro mil lares portugueses, a partir do qual é feita um registo sistemático dos produtos comprados pelas famílias.

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