Quem é Ruslan Edelgeriyev, o conselheiro de Putin que vem a Portugal?

CNN Portugal , MJC
18 jun, 09:55
Ruslan Edelgeriyev, conselheiro de Putin para assuntos ambientais, na COP 26 (AP)

Especialista em assuntos ambientais, e um defensor de metas "plausíveis" para as emissões de carbono, Edelgeriyev tem 47 anos e é oriundo da Chechénia

Ruslan Edelgeriyev, conselheiro de Vladimir Putin no Kremlin, de 47 anos, vai representar a Rússia na Conferência dos Oceanos, promovida pelas Nações Unidas, que se realiza em Lisboa entre 27 de junho e 1 de julho.

Mas quem é o conselheiro da presidência russa para os Assuntos Climáticos?

Nascido a 4 de dezembro de 1974 em Tsentoroi, na Chechénia, Ruslan Edelgeriyev começou por licenciar-se em Direito mas depois estudou Tecnologia de Produção e Processamento de Produtos Agrícolas. Em 2007, já depois da invasão russa do território, chegou ao governo da Chechénia, liderado por Ramzan Kadyrov. Foi vice-ministro e depois ministro da Agricultura, subiu a vice-primeiro-ministro e, por fim, em 2012, primeiro-ministro da República da Chechénia, cargo que ocupou durante seis anos.

Casado e com seis filhos, Edelgeriyev é conselheiro de Vladimir Putin desde junho de 2018 e é Representante Presidencial Especial para os Assuntos Climáticos. Como tal, tem representado a Rússia em diversas conferências internacionais sobre o clima e participou na COP26, no ano passado, em Glasgow.

A Rússia, o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior exportador de petróleo, aderiu ao pacto das alterações climáticas de Paris em 2019, que compromete os países a estabelecer metas a cada cinco anos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A Rússia é também um dos maiores emissores de dióxido de carbono do mundo, juntamente com a China, os Estados Unidos e a Índia. Mas estabeleceu a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2060, um processo no qual as florestas, a energia hídrica e nuclear devem desempenhar papéis fundamentais.

Edelgeriyev considera este é um objetivo plausível. Mas o responsável tem criticado as metas ambiciosas de alguns países, considerando que “não são sustentadas por planos [claros] e dados científicos” e são baseadas “em esperanças injustificadas sobre o surgimento de novas tecnologias”. 

Apesar da sua posição conservadora sobre este assunto, há cerca de um mês, já depois da invasão da Ucrânia, Edelgeriyev defendeu que Rússia deveria manter os compromissos assumidos no Acordo Climático de Paris, mesmo que tal medida tenha custos económicos. 

"A Rússia tem de retirar-se do Acordo de Paris? Definitivamente não. A mudança climática é um problema global que só pode ser resolvido com esforços consistentes de todos os membros da comunidade internacional. Repare, eu disse consistente. Isso significa que não devemos mudar de uma abordagem para outra, especialmente quando não há boas razões para isso", disse Edelgeriyev.

Sobre a participação da Rússia na conferência, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, explicou que “a Rússia é membro da ONU" e que Portugal, como anfitrião, assume as regras das Nações Unidas.

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